Segurei cada item com cuidado: meu vestido, meus elásticos de cabelo, meu livro favorito. Chorei, apertando-os contra o peito, como se isso pudesse me trazer de volta para ela, mesmo que por um instante.

De repente, um pequeno pedaço de papel dobrado caiu de um dos livros. Meu coração disparou.

Abri o envelope e reconheci a letra da minha filha.

O bilhete dizia: "Mãe, se você estiver lendo isso, olhe imediatamente debaixo da cama e você entenderá tudo."

Li várias vezes, com as mãos tremendo. Senti um aperto no peito. O que isso poderia significar?

Reunindo minhas forças, ajoelhei-me e olhei debaixo da cama... e o que vi me chocou.

Com as mãos trêmulas, puxei uma bolsa velha debaixo da cama. Dentro dela havia alguns itens: alguns cadernos, uma pequena caixa de bugigangas e o celular da minha filha. O mesmo celular que meu marido dissera estar "desaparecido". Meu coração disparou com um pressentimento sombrio.

Liguei meu celular — ainda estava funcionando. A primeira coisa que abri foi o app Mensagens. Lá encontrei uma conversa com uma amiga dela.

Fragmentos da conversa

15 de fevereiro, 22h17
Filha: Não aguento mais.

22:18
Amigo: O que aconteceu?