Passamos a hora seguinte revisando detalhes e planejando estratégias. É o nosso maior caso até hoje. Uma rede de restaurantes que explora trabalhadores migrantes, pagando-lhes abaixo do salário mínimo e sem o devido registro.
"Isso me lembra", diz Emily pensativa.
"Sim, de onde começamos. Mas agora temos os recursos, a experiência e a equipe para fazer algo concreto a respeito."
Meu celular toca. É um número desconhecido. Atendo.
"Alô."
"Susan?" Uma voz jovem. "Meu nome é Jessica. Não sei se você pode me ajudar, mas vi sua entrevista na TV, a história da sua filha, e estou passando pela mesma coisa."
Meu coração aperta.
"Conte-me, Jessica."
Ela me conta sobre seu chefe abusivo, as condições de trabalho degradantes, como ela se perde dia após dia. É uma história que me parece familiar, dolorosamente familiar.
“Jessica”, digo quando ela termina, “você não está sozinha. Nós vamos te ajudar. Você pode vir ao nosso escritório amanhã?”
“Sério? Vocês vão mesmo me ajudar?”
“Claro. É para isso que estamos aqui.”
Quando desligo, Emily me olha com um sorriso.
“Só mais uma.”
“Só mais uma. Sempre tem mais uma”, responde Emily. “Enquanto houver pessoas sendo exploradas e maltratadas, haverá trabalho para nós.”
Ela tem razão. Claro, o trabalho nunca acaba. Mas isso não me desanima. Pelo contrário, me energiza. Cada nova pessoa que ajudamos é uma vitória. Prova de que o que fazemos importa.
Naquela noite, jantei com Emily e Michael em um dos melhores restaurantes da cidade. É um lugar que pesquisamos discretamente antes de ir. Tratamento justo dos funcionários, salários justos, condições de trabalho decentes. Não apoiamos empresas que não respeitam esses princípios.
"Saúde!" Michael ergue o copo. "Ao Phoenix Strategy Group, três anos de operação, mais de 200 casos resolvidos, centenas de vidas transformadas."
"E a muitos mais anos", acrescenta Emily.
"E às segundas chances", concluo. "A todos nós."
Brindamos. O vinho está excelente. A comida está deliciosa. A companhia é perfeita. Olho para Emily, tão linda, tão forte, tão diferente daquela criatura destruída que resgatei há três anos. Olho para Michael, o homem que me deu uma segunda chance quando eu mais precisava, e penso em mim mesma. Susan, 64 anos, que passou décadas nas sombras, mas emergiu mais forte do que nunca, que provou que nunca é tarde para lutar, para recomeçar, para fazer a diferença.
Meu celular vibra. Outra mensagem de alguém pedindo ajuda. Outro caso em potencial, mais trabalho. E sorrio porque é exatamente aqui que quero estar.
Depois do jantar, Emily e eu caminhamos pela cidade. É uma noite fresca. As estrelas são visíveis apesar das luzes da cidade.
"Mãe", diz Emily de repente, "você se arrepende de alguma coisa? De tudo o que aconteceu, de todas as decisões que você tomou?"
Penso cuidadosamente antes de responder.
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