Eu era o motorista de Cantinflas e naquela noite descobri algo em que não conseguia acreditar…

Eu dirigia, mas minha mente estava lá dentro, no prédio. A cada troca de marcha, sentia como se deixasse um pedaço do Sr. Mario preso no câmbio. A garota estava quieta, mas não calma. Respirava fundo. De vez em quando, enxugava o rosto como se quisesse apagar tudo o que tinha visto. "Para onde vamos agora?", perguntou finalmente. Eu também queria saber, mesmo já tendo o endereço. Mario o havia me dado antes, em uma daquelas noites em que parecia estar falando sozinho.

"Se eu disser para você não voltar para me buscar", ele havia dito, "traga quem você tiver aqui. Não faça perguntas, não diga nomes, apenas bata na porta e espere." Na época, não entendi o propósito. Agora era tudo o que eu tinha. "Uma casa adiante", respondi à garota. "Pessoas do Sr. Mario, ele vai recebê-los. As que realmente ajudam, não as outras." Ela me olhou pelo retrovisor. E você, eu vou voltar para a minha vida, eu disse, embora eu não acreditasse de verdade nisso, ou melhor, para o que restou dela.

Dei várias voltas a mais, não por desconfiar do endereço, mas por hábito. Quando alguém te segue uma vez, você mantém o hábito para sempre. Continuei checando o retrovisor. Desta vez, nada, nem o carro com o chapéu, nem o outro sem placa, como se estivessem acorrentados ao prédio. Não sei se era um bom ou mau sinal. O endereço nos levou a um bairro tranquilo de casas antigas, árvores grandes e cachorros dormindo na calçada.

Nada parecido com a tensão que estávamos sentindo. Paramos em frente a uma casa com fachada simples, um portão branco, janelas com cortinas lisas e um vaso de flores torto na entrada. Desliguei o motor e por um segundo fiquei parado ali com as mãos no volante, sem me mexer. "É aqui", ela perguntou baixinho. "É aqui", eu disse. Saímos do carro. Meus joelhos tremiam um pouco, mas continuei andando. Bati na porta uma, duas, três vezes. Não havia campainha. Demorou um pouco para que abrissem.

Quando comecei a achar que talvez tivesse me enganado de casa, ouvi a corrente estalar lá dentro e a porta se abriu o suficiente para que um olho pudesse espiar. "Quem é?", perguntou uma voz feminina. Lembrei-me do que Mario havia me dito. "Não diga meu nome a menos que eles digam." "Primeiro, me mandaram para alguém", respondi. "Disseram que poderiam protegê-la aqui." Silêncio. O olho olhou primeiro para nós, depois para a garota. Então, a porta se abriu um pouco mais.

A mulher parecia ter uns cinquenta anos. Seu cabelo estava preso, vestia roupas simples, mas tinha um olhar firme. Não era uma velha assustada; era do tipo que aguenta o tranco. "Ele te mandou", perguntou. Ela não disse o nome dele, mas eu sabia de quem ela estava falando. "Sim", respondi. "Ele me deu este endereço caso algo acontecesse." Ela assentiu uma vez. "Entrem." Entramos. A casa era bem comum por dentro. Uma sala com uma poltrona florida, uma mesa com uma pequena toalha de mesa, o cheiro de café fresco. Havia fotos nas paredes: crianças, casamentos, pessoas rindo, nada.

Parecia clandestina, e ainda assim havia algo estranho nela, como se as paredes tivessem ouvidos. A mulher fechou a porta e recolocou a corrente. Então se virou para nós. "Sentem-se", disse ela, apontando para a poltrona. A garota se deixou cair, quase como se não tivesse mais forças. Sentei-me na beirada sem me encostar, pronta para correr se algo parecesse errado. "Qual o nome dela?", perguntou a mulher. A garota abriu a boca, mas eu falei primeiro.

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