Eu estava abraçado ao túmulo da minha filha quando ouvi um sussurro: "Pai... já estão falando do seu funeral."

Cada palavra era uma facada. Mas o que ele disse em seguida me mudou para sempre.

“E não é só isso. Estela está te envenenando. Aqueles chás, aqueles remédios que ela te dá à noite… estão te matando aos poucos. Eles querem que pareça uma morte natural, um ataque cardíaco de tristeza… para que possam ficar com tudo. Você é a próxima.”

Recuei, sentindo a realidade se estilhaçar. As imagens de Estela me oferecendo "algo para os meus nervos" e Marcos me dizendo "descanse, irmão" assumiram um significado monstruoso. Não era amor. Era uma execução lenta. A raiva começou a substituir a dor, um fogo escuro queimando em meu peito.

"Eles vão pagar", rosnei com uma voz que não reconheci. "Eu juro, Isabel, eles vão pagar por cada lágrima."

A abracei com força, mas ela me impediu.

"Pai, se formos à polícia agora ou voltarmos para casa, eles vão nos matar. Eles são perigosos." "Eles têm gente."

Ela tinha razão. Eu era fraco, e eles controlavam tudo. Tínhamos que ser mais espertos. Ali, entre os túmulos, tomei a decisão mais difícil da minha vida.

"Vamos fazê-los pensar que venceram", eu disse a ela. "Vou morrer... ou pelo menos é o que eles vão pensar."

Escondi-a no antigo apartamento do zelador do cemitério, um homem leal à minha família há décadas. Depois, voltei para a mansão.

Naquela noite, entrar em casa era como entrar no covil do inimigo. Estela me cumprimentou impecavelmente, com seu sorriso falso.

"Joaquín, você demorou tanto. "Preparei seu chá", disse ela, entregando-me a xícara.

Olhei para ela. Aquela xícara era minha sentença de morte.

"Obrigado, meu amor", respondi.

A partir daquela noite, comecei meu teatro. Fingi piorar, ouvi conversas alheias, reuni provas. Ouvi Marcos dizer:

"Aumente a dose dele, ele está quase morto."

E Estela responder, rindo:

"Em poucos dias, ele será nosso."

No último dia, fingi um colapso. No hospital, com a ajuda de um médico de confiança, fingimos minha morte.

A notícia abalou o país:

"Joaquín Herrera, o empresário consumido pela tragédia, morre."

Assisti ao meu próprio funeral de longe. Estela chorando sobre um caixão vazio. Marcos recebendo condolências.

Dias depois, durante a aquisição da empresa, entrei na sala de reuniões segurando a mão de Isabel. Vivo.

O silêncio era absoluto.

"Morto?" "Não. Ele só estava esperando", disse.

As gravações vieram à tona. A polícia entrou. Estela e Marcos foram algemados.

"Nós só queríamos o dinheiro...", chorou Marcos.

"E é só isso que vocês vão conseguir... na cadeia", respondi.

Naquela noite, a casa voltou a ser um lar.

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