A dor explodiu atrás do seu olho esquerdo. Seu corpo caiu com força no tapete. O laptop deslizou da mesa e se estilhaçou ao seu lado. Ela ficou contorcida no chão, ofegando por um ar que não vinha. Seu lado esquerdo ficou dormente. Braço. Perna. Metade do rosto. Tudo parado.
Ela sabia o que era.
Um AVC hemorrágico.
Ela tentou alcançar o telefone com a mão direita. Errou. Tentou de novo. Seus dedos não obedeciam. O telefone escorregou para debaixo da mesa de reuniões, fora de seu alcance.
A sala ficou mais estreita. Sua visão ficou mais estreita. Em algum lugar do prédio, aspiradores robóticos começaram suas rondas noturnas, pequenos motores suaves girando ao redor de seu corpo agonizante.
Naquele exato momento, a mais de três mil quilômetros de distância, Evelyn entrava no saguão de um resort cinco estrelas em Nassau, arrastando malas de grife sobre o piso de pedra polida e reclamando da umidade.
Jessica se deitou no tapete enquanto a escuridão começava a envolvê-la.
Parte 2: O Preço
As luzes da UTI queimavam suas pálpebras.
Jessica estava entrando e saindo do hospital há o que parecia anos. As máquinas apitavam. Um ventilador chiava. Seu peito doía. Sua cabeça parecia estar sendo arrancada. Ela não conseguia mover o braço esquerdo. O quarto cheirava a água sanitária e iodo.
Então, vozes cortaram a névoa.
"Não temos tempo para isso, doutor."
Sua mãe.
Jessica forçou os olhos a se abrirem o suficiente para ver Evelyn parada aos pés da cama, com um vestido tropical deslumbrante, a pele ainda bronzeada das Bahamas, um relógio de ouro no pulso, a impaciência estampada em cada linha do seu corpo. David, o pai de Jessica, estava ao lado dela, olhando para o chão.
O neurocirurgião segurava uma ficha com tanta força que o papel amassou.
"Sua filha sofreu um AVC hemorrágico catastrófico", disse ele. “Há também uma complicação grave com a válvula mitral dela. Ela precisa de uma cirurgia cardíaca de emergência antes que possamos estabilizá-la completamente. Se não operarmos, ela pode sofrer uma parada cardíaca.”
“Então operem”, retrucou Evelyn. “Ela tem plano de saúde.”
“Este procedimento não faz parte da rede do meu plano e requer uma equipe especializada”, disse o médico. “O hospital precisa de um depósito de US$ 142.000 agora. Precisamos garantir o dinheiro hoje.”
Evelyn riu.
“Cento e quarenta e dois mil dólares?” Ela agarrou a alça da mala. “Não vou esvaziar o fundo de casamento da Valerie nem mexer na aposentadoria para algo que o seguro provavelmente cobrirá depois. Jessica é jovem. Ela é forte. Ela vai sobreviver a isso. Dê a ela os medicamentos.”
“Senhora, ela pode morrer.”
“Precisamos ir, David”, disse Evelyn, ignorando-o. “O carro está esperando. A passagem de volta para Nassau não é reembolsável. Valerie está histérica por causa das flores.”
Jessica jazia ali, totalmente consciente, presa dentro de um corpo que não lhe respondia. Lágrimas escorreram para o seu cabelo.
Seus pais se viraram e saíram.
Sem desculpas. Sem hesitação. Sem tocar nela. Apenas as rodinhas da mala, o perfume e a dura realidade de que sua vida tinha sido avaliada e considerada cara demais.
O monitor cardíaco ao lado dela disparou.
O estresse atingiu seu corpo como um soco. O ritmo na tela ficou errático. Alarmes soaram. A equipe médica gritou. A sala se encheu de movimento.
Então, a linha reta.
Tudo ficou preto.
Um médico se aproximou do carrinho de emergência.
E antes que pudesse dizer as horas, a porta da UTI se abriu e um homem de terno impecável entrou, carregando um cartão de crédito de titânio preto.
Parte 3: Arthur Sterling
Quando Jessica acordou novamente, o mundo havia mudado.
O ventilador havia sumido. As luzes estavam mais fracas. Ela conseguia mexer os dedos. Seu peito estava enfaixado. O oxigênio frio filtrava-se pela cânula em seu nariz. O quarto agora era privado. Silencioso. Vazio de familiares.
Sobre a mesa ao lado da cama, havia um enorme arranjo de orquídeas brancas e um exemplar antigo e gasto de Meditações.
Ao lado, o livro de visitas.
Ela o puxou para o colo e olhou para baixo.
Cada linha dos últimos cinco dias trazia o mesmo nome em negrito, com tinta preta.
Arthur Sterling.
De novo.
E de novo.
E de novo.
A enfermeira entrou e viu a pasta nas mãos de Jessica.
"Você finalmente acordou", disse ela gentilmente.
Jessica engoliu em seco, com a garganta ainda irritada. "Quem é Arthur Sterling?"
A enfermeira olhou para a porta e inclinou-se em sua direção.
"Ele pagou pela sua cirurgia", disse ela. "Tudo. Uma carta. Sem hesitação. Ele trouxe o cirurgião de Boston em seu jato particular." Ela olhou para as orquídeas. "Ele sentava naquela cadeira todas as noites enquanto você estava inconsciente. Lia aquele livro. Eu ficava acordada até de manhã."
Jessica olhou para ela, incrédula. "Por quê?"
A enfermeira balançou a cabeça levemente. "Não sei. Mas eu não queria que você morresse sozinha."
Dois dias depois, a porta se abriu.
Evelyn entrou primeiro, encharcada de perfume, com um bronzeado de resort e uma falsa sensação de alívio. David entrou logo atrás.
"Ah, querido, você acordou", disse Evelyn, correndo.
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