Às 3 da manhã, um motociclista ouviu um choro vindo de uma caçamba de lixo atrás de um posto de gasolina abandonado e quase seguiu viagem.
Parei para consultar o mapa. Estava no meio do nada, no Tennessee. Não havia sinal. Era só eu, minha Harley e a pior tempestade em dez anos, se aproximando rapidamente.
O choro parecia o miado de um gato. Talvez um gato ferido. Mas quando levantei a tampa, vi um saco de lixo. Estava se mexendo.
Tenho sessenta e nove anos. Lutei no Vietnã. Segurei irmãos moribundos. Mas nada me preparou para a pura maldade de jogar fora uma criança respirando.
Minhas mãos tremiam enquanto eu a tirava de lá. Ela era tão pequena. Pesava talvez dois quilos e meio. Ainda estava coberta de vérnix fetal. Este bebê tinha poucas horas de vida. Talvez menos.
Ela não chorava mais. Isso foi o que mais me assustou. Ela parou de chorar.
"Vamos lá, pequenina. Vamos lá."
Encostei meu ouvido em seu pequeno peito. Seu coração estava batendo. Fracamente, mas estava batendo. O hospital mais próximo ficava em Jackson. A 70 quilômetros de distância. Em meio a uma tempestade. De moto.
Olhei para aquele pequeno ser humano. Descartado. Abandonado. Deixado para morrer no lixo.
"Nem pensar, pequena guerreira. Nem pensar."
Tirei minha jaqueta de couro. Estava fazendo dezesseis graus e chovendo, mas a jaqueta estava quente por causa do meu calor corporal.
Envolvi-a cuidadosamente, certificando-me de que ela pudesse respirar. Então fiz algo que só tinha visto em filmes: abri o zíper da minha jaqueta de motoqueiro e a abracei contra o meu peito. Fechei o zíper novamente, mantendo-a lá dentro. Sua cabecinha estava logo abaixo do meu queixo.
Enquanto eu subia na moto, a chuva caía como balas. Vinte e três quilômetros. Em meio a uma tempestade. Com uma criança morrendo no meu peito.
Eu nunca tinha pilotado tão rápido na minha vida.
A Harley rugia na tempestade. Raios cortavam o céu. A chuva me cegava. Mas eu a sentia contra o meu peito. Eu sentia seu pequeno coração batendo. Ou talvez eu estivesse apenas imaginando. Talvez fosse apenas esperança.
"Fique comigo, pequena. Estamos quase lá. Só mais alguns quilômetros."
Conversei com ela o caminho todo. Cantei canções de ninar antigas que me lembrava de algum lugar. Contei a ela sobre o mundo que ela estava prestes a ver. A vida que ela levaria.
"Alguém não te quis, mas a perda é deles. Você vai conseguir. Você vai crescer forte. Eu prometo." Depois de dez milhas, ela se mexeu. Só um pouco.
Meu nome é James "Ghost" Sullivan. Ando de moto há quarenta e dois anos. Ganhei o apelido de Ghost no Vietnã porque eu conseguia desaparecer e reaparecer quando necessário.
Nunca pensei que precisaria dessas habilidades em uma terça-feira chuvosa no interior do Tennessee.
Eu estava voltando de um funeral em Memphis. Outro irmão do Vietnã havia falecido. O Agente Laranja finalmente o alcançou. Hoje em dia, passo mais tempo em funerais do que em casamentos. Acho que isso faz parte de envelhecer. Uma tempestade atingiu os arredores de Millerton. Chuva torrencial. Raios cortavam a noite. A solução sensata teria sido encontrar um motel. Mas eu já havia passado pelo último quarenta quilômetros antes.
O posto de gasolina Texaco abandonado parecia um fantasma. O telhado estava meio desabado. As bombas já tinham parado de funcionar há muito tempo. Mas havia uma saliência. Algum tipo de abrigo. Parei para esperar o pior passar.
Então eu ouvi.
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