Meu primeiro pensamento foi que algum animal tivesse ficado preso. Isso acontece com frequência em prédios abandonados. Mas algo me fez olhar ao redor. A caçamba de lixo estava transbordando. Móveis velhos. Sacos de lixo. Tudo apodrecendo. Um choro vinha de dentro.
Levantei a tampa, pronta para encontrar um gato ferido. Talvez um guaxinim raivoso. A luz da minha lanterna rasgou a escuridão e iluminou o saco de lixo preto no topo.
Ele estava se mexendo.
Não como se o vento o estivesse movendo. Como se algo lá dentro estivesse se movendo.
Vi horror. Horror verdadeiro. Mas quando rasguei o saco e vi o que havia dentro, esqueci como respirar. Minúsculo. Um recém-nascido. Coberto de sangue e muco. O cordão umbilical estava amarrado com cadarços sujos. Lábios azulados. Mal se mexia.
Alguém tinha dado à luz aquele bebê e o jogado fora.
Minhas mãos tremiam enquanto eu o pegava. Era tão pequeno. Talvez dois quilos. Ainda coberto de vérnix fetal. Aquele bebê tinha algumas horas de vida. Talvez menos.
Ela não chorava mais. Isso era o que mais me assustava. Ela tinha parado de chorar.
"Vamos lá, meu bem. Vamos lá."
Encostei meu ouvido no seu pequeno peito. Seu coração batia. Fraco, mas batia.
O hospital mais próximo ficava em Jackson. A 72 quilômetros de distância. Em plena tempestade. De moto.
Olhei para aquele pequeno ser humano. Descartado. Abandonado. Deixado para morrer no lixo.
“Nem pensar, minha pequena guerreira. Nem pensar.”
Tirei minha jaqueta de couro. Estava fazendo 15 graus e chovendo, mas a jaqueta estava quente por causa do meu calor corporal. Envolvi-a cuidadosamente nela, certificando-me de que ela pudesse respirar. Então fiz algo que só tinha visto em filmes: abri o zíper da minha jaqueta de motoqueiro e a abracei contra o meu peito. Fechei o zíper novamente, mantendo-a lá dentro. Sua cabecinha estava logo abaixo do meu queixo.
Enquanto eu subia na moto, a chuva caía como balas. 37 quilômetros. Em meio a uma tempestade. Com uma criança morrendo agarrada ao meu peito.
Eu nunca tinha pilotado tão rápido na minha vida.
A Harley rugia na tempestade. Raios cortavam o céu. A chuva me cegava. Mas eu a sentia contra o meu peito. Eu sentia seu pequeno coração batendo. Ou talvez eu tivesse imaginado. Talvez fosse apenas esperança.
“Fique comigo, pequena. Estamos quase lá. Só mais alguns quilômetros.”
Conversei com ela durante todo o caminho. Cantei canções de ninar antigas que me lembrava de algum lugar. Contei a ela sobre o mundo que ela estava prestes a ver, a vida que ela estava prestes a viver.
"Alguém não te quis, mas a perda é dessa pessoa. Você vai superar isso. Você vai crescer e se tornar uma pessoa forte. Eu prometo."
Depois de dez milhas, ela se mexeu. Só um pouquinho. Seu pequeno punho pressionou meu peito.
Ela lutou.
"É esse o objetivo. Lutar. Mostrar do que você é capaz."
Quinze milhas. A tempestade havia se intensificado. A visibilidade era quase nula. Eu estava a setenta milhas por hora em condições que exigiam uma parada.
"Estamos quase lá, querida. Quase lá."
Às três da manhã, entrei no estacionamento do hospital.
Parei bruscamente em frente à entrada da emergência. Corri para dentro, agarrando o pacote contra o peito.
"Preciso de ajuda! Encontrei um bebê! Um recém-nascido! No lixo!"
Todos entraram em ação imediatamente. Enfermeiras. Médicos. Tiraram-na de dentro do meu casaco. Ela era tão pequena naquela maca enorme. Tão sozinha.
“Senhor, o senhor é o pai?”
"Não. Eu encontrei. Em uma caçamba de lixo. Posto de gasolina abandonado na Rota 47."
"Há quanto tempo?"
"Vinte... vinte e cinco minutos atrás? Cheguei aqui o mais rápido que pude."
Eles desapareceram com ela pelas portas duplas. Deixaram-me ali parada, encharcada, tremendo, coberta de sangue e fluidos fetais.
Para ver as instruções de preparo completas, vá para a próxima página ou clique no botão Abrir (>) e não se esqueça de COMPARTILHAR com seus amigos no Facebook.
