Estávamos quase em frente às portas de vidro quando ele parou tão de repente que quase tropecei.
"Mãe."
Virei-me, irritada por um instante, mas imediatamente alarmada com o som da sua voz.
"O que foi?"
Ele olhou para mim, e o medo em seus olhos me deixou sem ar.
"Mãe", sussurrou ele, apertando minha mão com força, "não podemos ir para casa."
Agachei-me à sua frente, tentando manter a voz calma. "Como assim? É claro que vamos para casa. Já é tarde."
Ele balançou a cabeça violentamente, com lágrimas já se formando em seus olhos. "Não. Por favor. Não podemos. Algo ruim vai acontecer."
Algumas pessoas nos encararam. Gentilmente, puxei-o para mais perto.
"Kenzo, querido, escuta. Você está seguro. Papai só está viajando. Nada de ruim vai acontecer."
"Mãe, por favor", disse ele, com a voz embargada. “Desta vez você tem que acreditar em mim.”
Desta vez.
As palavras doeram porque eram merecidas.
Algumas semanas antes, ele havia me contado sobre um carro escuro estacionado em frente à nossa casa em Buckhead, tarde da noite. Eu o ignorei. Em outra ocasião, ele mencionou ter ouvido o pai conversando no escritório sobre “resolver as coisas de uma vez por todas”. Eu disse a ele que conversas de adultos não eram para crianças.
Agora ele estava tremendo na minha frente, implorando.
Respirei fundo. “Tudo bem”, eu disse baixinho. “Me conte o que você ouviu.”
Ele se inclinou para mais perto, seus lábios roçando minha orelha.
“Esta manhã”, ele sussurrou, “levantei cedo para pegar água. Papai estava no escritório, ao telefone. Ele disse que algo ruim ia acontecer esta noite enquanto dormíamos. Disse que precisava se ausentar. Que não seríamos mais um obstáculo para ele.”
O mundo desabou.
Afastei-me e olhei-o nos olhos. “Tem certeza, querido?”
Ele assentiu, freneticamente. “Ele disse que alguém cuidaria disso. A voz dele era assustadora, mãe. Não como a do papai.”
Meu primeiro instinto foi negar. Explicar. Me convencer de que era um mal-entendido.
Mas as lembranças vieram à tona sem serem convidadas.
Quase insistindo para que tudo estivesse em seu nome.
Quase aumentando o valor do seu seguro de vida.
Ligações noturnas atrás de portas fechadas.
Aquela frase que ouvi uma vez, meio adormecida: Tem que parecer um acidente.
Levantei-me devagar.
“Tudo bem”, eu disse. “Eu acredito em você.”
O alívio inundou o rosto de Kenzo tão rápido que doía ver.
Caminhamos até o carro em silêncio. Apertei o cinto de segurança dele, minhas mãos tremendo, e então dirigimos, seguindo nosso caminho de sempre, fazendo uma curva ampla, aproximando-nos da nossa rua por trás.
Estacionei em uma rua lateral, com o motor desligado e os faróis apagados.
Nossa casa ainda estava lá, exatamente como sempre. A luz da varanda estava acesa. As cortinas estavam fechadas. Silêncio.
Esperamos.
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