A pergunta parecia absurda. Thomas nunca me perguntava se eu gostava dos presentes. Sua participação geralmente terminava assim que eu lhe entregava a caixa ou o buquê.
"Ah, eles eram bonitos demais para comer sozinha", respondi alegremente, tentando parecer descontraída. "Dei para a Laura e as crianças. Você sabe o quanto o Charles adora doces."
O silêncio me atingiu em cheio.
Não apenas uma pausa, mas um espaço. Era como se a conexão tivesse sido cortada, mas eu ainda conseguia ouvir sua respiração. Alta. Ofegante.
"Você fez o quê?" Sua voz falhou, ficando aguda, quase distante.
Eu estava confusa.
"Dei para as crianças... Thomas, o que aconteceu?"
Sua respiração ficou ainda mais pesada.
"Elas já comeram?"
Senti um arrepio percorrer minha espinha.
"Eu... eu não sei. Só coloquei a caixa no chão. Thomas, você está me assustando."
Ele soltou um suspiro, um som parecido com um gemido, e desligou.
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