Oito anos depois, numa manhã escaldante de abril, a Sra. Elena estava sentada à porta da sua padaria quando ouviu o motor de uma velha carrinha de caixa aberta parar. Um grupo de jovens entrou para comprar água e pão doce. Mal lhes prestou atenção, até que o seu olhar se fixou. No braço direito de um deles, estava uma tatuagem com o retrato de uma menina.
O desenho era simples: apenas delineava um rosto redondo, olhos brilhantes e cabelo entrançado. Mas, para ela, era inequivocamente familiar. Uma dor aguda atravessou-lhe o coração; as mãos tremeram-lhe e quase deixou cair o copo de água gelada. Era o rosto da sua filha: Sofia.
Sem se conseguir conter, atreveu-se a perguntar:
"Meu filho, esta tatuagem... de quem é?"
A pergunta pairava no ar, vibrando por entre o barulho da rua e o aroma de pão fresco.
O jovem com a tatuagem paralisou. Baixou o braço lentamente, como se a imagem se tivesse tornado demasiado pesada para ele. Olhou nos olhos da Sra. Elena e, por um instante, algo se quebrou na sua expressão endurecida. Ele não respondeu imediatamente. Os seus amigos trocaram olhares ansiosos.
"O meu nome é Daniel", disse finalmente. "Esta tatuagem... pertence à minha irmã."
A Sra. Elena sentiu o mundo a girar. Apoiou-se no batente da porta para não desabar.
"A tua irmã?", sussurrou. "Como é que ela se chamava?"
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