"Não é nenhum incômodo", mentiu Matías, embora no fundo soubesse que a presença de Elepa e dos bebês havia despertado algo nele que mantivera adormecido por anos. Elepa se levantou com cuidado, carregando os gêmeos. "Posso te perguntar uma coisa?", disse ela antes de entrar no quarto. "Claro. Por que você está me ajudando? Você não me conhece."
Matías ficou pensativo por um instante, porque cinco anos atrás, quando Carmen morreu, eu também me perdi no meio de uma tempestade. Alguém me ajudou, então acho que é a minha vez de ajudar. Elepa assentiu com lágrimas frescas nos olhos. Obrigada, Matías. Nunca vou me esquecer disso.
Depois que Elepa se recolheu ao quarto de hóspedes, Matías ficou perto da lareira, observando as chamas. A casa parecia diferente com outras pessoas dormindo nela. Ela não sabia se era uma sensação agradável ou inquietante. Levantou-se para pegar a bolsa molhada de Elepa e levá-la para perto do fogo para secar. Ao pegar os documentos, alguns caíram no chão. Sem hesitar, ela os recolheu, mas não conseguiu evitar ver o nome nos papéis.
Elepa Morales Vidal. Seu coração parou. Vidal. Aquele sobrenome era conhecido em toda a Argentina. Os Vidal eram uma das famílias mais poderosas do país, donos de um império empresarial que abrangia desde veículos de comunicação até construtoras. Matías leu mais documentos sem conseguir compreendê-los: certidões de nascimento dos gêmeos, documentos legais de herança e uma identificação que confirmava o que ele temia.
Elepa não era uma mulher comum que havia evitado grandes problemas. Ela era a herdeira de uma fortuna multimilionária. Ele passou o resto da noite acordado, imaginando em que tipo de encrenca havia se metido. A manhã chegou com um silêncio sepulcral. Matías havia adormecido na poltrona perto da lareira apagada. Os documentos de Elepa ainda estavam em suas mãos.
O choro suave de um dos bebês o despertou. Elepa apareceu na sala de estar carregando Santiago, enquanto Esperanza dormia em seus braços. "Bom dia", disse ela suavemente. "Desculpe por ter te acordado. Não se preocupe." Matías sentou-se, guardando discretamente os papéis. "Como você dormiu?" "Melhor do que nas últimas semanas."
Elea parecia mais descansada, embora ainda tivesse olheiras. "Você tem leite? Para fazer fórmula para os bebês. Claro, também tem ovos frescos, e você está com fome." Enquanto preparavam o café da manhã juntos, Matías observava Elea se movimentar pela cozinha com naturalidade. Ela não parecia a herdeira mimada que ele imaginara durante a noite.
"Você sabe cozinhar?", perguntou ele, observando-a preparar habilmente os ovos mexidos. "Aprendi recentemente." Elea sorriu pela primeira vez desde que chegara. "Quando decidi mudar de vida, tive que aprender muitas coisas básicas." Depois do café da manhã, Elea concordou em ajudar nas tarefas. Matías a levou para conhecer a fazenda, os currais, o estábulo e as galinhas.
Os gêmeos descansavam em um abrigo improvisado que Matías havia preparado. “É lindo aqui”, disse Elepa, olhando para os campos que se estendiam até o horizonte. “É tão diferente da cidade. De que parte de Buenos Aires você é?” Elea ficou tensa. Do norte, da área residencial. Matías decidiu não pressioná-la. Se ela queria guardar segredos, era uma decisão dela.
“E sua família não está procurando por você?” “Eu não tenho família”, respondeu Elea prontamente. “Pelo menos não uma que eu queira encontrar.” Naquela tarde, Dom Roberto chegou para uma visita, como fazia a cada duas semanas para verificar o gado. Ele era um homem de 60 anos, veterinário da cidade mais próxima e o único amigo verdadeiro que Matías tinha.
“E esta linda família?”, perguntou Dom Roberto ao ver Elepa com os bebês. “Elepa teve uma emergência na estrada”, explicou Matías. “Os bebês morreram durante a tempestade da noite passada.” Dom Roberto, com sua experiência médica, ofereceu-se para examinar Elepa e os gêmeos. “Eles estão perfeitamente saudáveis”, declarou ele após o exame.
Veja a continuação na próxima página.
Para ver as instruções de preparo completas, vá para a próxima página ou clique no botão Abrir (>) e não se esqueça de COMPARTILHAR com seus amigos no Facebook.
