Um fazendeiro solitário ouviu barulhos no celeiro. Ao chegar, encontrou uma jovem com dois recém-nascidos.

Naquela noite, ambos adormeceram sabendo que algo havia mudado, mas nenhum dos dois ousava dizer o quê ainda. Dois meses haviam se passado desde aquela noite tempestuosa e a vida em La Esperanza havia encontrado um ritmo natural. Elea acordava antes do amanhecer para preparar o café da manhã enquanto Matías cuidava dos animais; os gêmeos, agora mais despertos e alertas, passavam as manhãs em uma cama à sombra da alfarrobeira enquanto os pais trabalhavam por perto. "Olha só", disse Elea, apontando para Santiago, que havia

conseguido rolar de bruços pela primeira vez. Matías largou o balde de leite e se aproximou, com um largo sorriso iluminando seu rosto. "Ele é muito forte para apenas dois meses. Os dois são." Elea pegou Esperanza no colo, que gorgolejava alegremente. "Acho que eles gostam do ar do campo." As tardes haviam se tornado o momento favorito deles.

Depois que os bebês tiravam uma soneca, Elea e Matías sentavam-se na varanda tomando mate enquanto observavam os cavalos pastando. "Você já pensou em se casar de novo?" Certa tarde, Elepa perguntou, acariciando distraidamente a cabeça de Esperanza, que dormia em seus braços. Depois de Carmen, não me imaginava com mais ninguém. Matías serviu mais mate.

"E você alguma vez se apaixonou de verdade?" Elepa ficou pensativa. "Achei que sim quando era bem pequena, mas meu pai fez questão de terminar o relacionamento. Depois disso, só houve casos passageiros." Como ele era? "O rapaz por quem você se apaixonou. Era filho do jardineiro." Elepa sorriu com saudade. "O nome dele era Diego."

"Ele era dois anos mais velho que eu, e quando eu tinha 17, pensei que me casaria com ele. O que aconteceu? Meu pai o demitiu e pagou para ele estudar na Espanha. Nunca mais o vi." Elepa suspirou. "Foi a primeira vez que entendi que, na minha família, o amor não era uma opção." Matías a observou com ternura. "Mas agora você é livre para escolher." "Sou."

Elepa olhou diretamente para ele. "Sebastián, continue me procurando. Cedo ou tarde." Ele não vai te encontrar aqui. Matías interrompeu. E se encontrar, não será problema para mim. Elepa sentiu um calor no peito que não sentia há anos. Certa manhã, enquanto Elepa aprendia aleatoriamente sobre um bezerro sob a paciente instrução de Matías, um carro se aproximou pela estrada de terra.

Elepa ficou tensa imediatamente. “Está esperando alguém?” perguntou ele com voz servil. “Não.” Matías estreitou os olhos. “Mas não se preocupe, vamos ficar aqui e ver quem é.” Uma mulher elegante de cerca de 40 anos saiu do carro, com cabelos castanhos curtos e um vestido claramente inadequado para o campo. “Matías!” chamou a mulher, caminhando em direção a eles com passos decididos.

“Lucía”, murmurou Matías, “é minha irmã.” Elepa sentiu um aperto no estômago. “Quem é essa linda mulher?” perguntou Lucia ao chegar, olhando para Elepa com curiosidade mal disfarçada. “E esses bebês preciosos, Lucia, esta é Elepa. Elepa, minha irmã Lucia.” “Prazer em conhecê-la”, disse Elepa, tentando manter a compostura.

“Você mora aqui?”, perguntou Lucia diretamente, pois meu irmão havia me dito para ter companhia. “Elepa, você está apenas de passagem?”, respondeu Matias. Ele teve uma emergência médica e está se recuperando aqui. Lucía era advogada especializada em direito de família, e seus instintos profissionais foram imediatamente ativados.

Havia algo na maneira como Elepa evitava contato visual, na forma como Matías permanecia protetor ao lado dela. “Gêmeos?”, perguntou Lucía, aproximando-se da cama onde Santiago e Esperanza descansavam. “Quantos meses eles têm?” “Dois meses”, respondeu Elepa. “E o pai?” Um silêncio constrangedor se instalou entre os três. Lucía disse, como que em tom de aviso: “Só estou perguntando, irmão.”

“É natural ter curiosidade.” Lucía sorriu, mas Elepa percebeu que os olhos dele ainda estavam nela. “De onde você é, Elepa?” “Buenos Aires.” "Qual parte?" "Eu também moro lá." Elepa sentiu as paredes se fechando ao seu redor. "Eu também." "Cala a boca." "Lucía, para", interrompeu Matías. Elepa não era obrigada a responder a uma pergunta.

Matís ponderou, perdoando-a. Lucía pediu desculpas, mas Elepa percebeu que ela não parecia arrependida. É que me dá muita alegria ver meu irmão acompanhado depois de tanto tempo. Naquela noite, durante o jantar, Lucía continuou fazendo perguntas sutis. Elepa respondia com respostas vagas, mas Lucía era inteligente demais para perceber as sutilezas.

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