Quando Anna chegou à clínica, notei imediatamente seu comportamento. Estava elegantemente vestida e visivelmente tensa. Com cerca de cinquenta e cinco anos, cabelos curtos e bem cuidados, e um casaco que combinava perfeitamente com os sapatos. No geral, transmitia a impressão de uma pessoa organizada, acostumada a ter o controle da própria vida.
Ela segurava a caixa de transporte com extremo cuidado, como se algo muito frágil estivesse lá dentro.
"É a Luna", disse ela. "Meu marido escolheu o nome. Combina muito com ela... mas à noite, ela não é Luna. À noite, ela é mais como um despertador com garras."
Grandes olhos calmos me fitaram de dentro da caixa. Lá dentro, uma grande gata cinza com pelagem espessa e um olhar sereno. Não havia nenhum traço de agressividade ou nervosismo nela.
Retirei-a cuidadosamente e a coloquei na mesa de exame. O animal estava calmo, como se soubesse perfeitamente que não corria nenhum perigo.
"O que exatamente está acontecendo?", perguntei.
Anna suspirou profundamente.
"Ela me acorda todas as noites. Sempre por volta do mesmo horário. Lá pelas três ou quatro da manhã. Primeiro, ela toca delicadamente minha bochecha com a pata. Se eu não reajo, ela começa a me bater mais forte. Às vezes, ela morde minha mão. Ela também pode puxar o cobertor. E faz isso até eu me levantar e ir dormir no sofá da sala."
Ela fez uma pausa, como se ainda não acreditasse no que estava dizendo.
"Só quando eu saio do quarto ela se acalma. Aí ela pula no meu travesseiro e dorme tranquilamente até de manhã."
"Há quanto tempo isso acontece?", perguntei.
"Cerca de três meses. No começo, achei que a personalidade dela tinha mudado. Depois, comecei a suspeitar que o problema era meu. Cheguei a ir a um terapeuta. Ele disse que era insônia causada por estresse. Me receitou um sedativo. Mas nada melhorou."
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