Esperanza caminhava lentamente pelas ruas de paralelepípedos de uma cidade pitoresca em Jalisco. O sol do meio-dia castigava, mas ela mal sentia o calor. Vestia um suéter surrado, sapatos empoeirados e uma mochila velha a tiracolo. Fazia 23 longos anos desde a última vez que pisara naquela mesma rua. 23 anos de trabalho árduo limpando casas, escritórios e banheiros comerciais no exterior para enviar cada centavo de volta ao México.
Ele parou em frente à imponente fachada do número 37 da Rua Hidalgo. Era a casa mais bonita do quarteirão, com paredes recém-pintadas, janelas amplas e um portão de ferro forjado. Tudo naquela propriedade exalava prosperidade. E tudo, até o último tijolo, havia sido pago com suas remessas.
Esperanza engoliu em seco, sentindo um nó na garganta, e bateu na porta.
A porta demorou a abrir. Quando finalmente se abriu, Dona Carmen, sua mãe, apareceu. Usava joias de ouro brilhantes no pescoço e segurava um copo de tequila pela metade. Atrás dela, Rosario, a irmã mais nova de Esperanza, espreitava, vestida com roupas de grife que, ironicamente, também haviam sido financiadas com dinheiro americano.
Dona Carmen a examinou de cima a baixo, sem demonstrar qualquer alegria. Sua expressão mudou de confusão para desprezo em questão de segundos ao notar as roupas velhas e a aparência cansada da filha mais velha.
"Mãe..." murmurou Esperanza, com a voz embargada. "Voltei. Perdi tudo. Estou arruinada."
O silêncio que se seguiu foi mais frio que o amanhecer de inverno. Dona Carmen tomou um gole de sua tequila, franzindo a testa.
"Não posso te ajudar", disse finalmente a matriarca, com voz áspera e desprovida de qualquer instinto materno. "Não toleramos fracassos nesta casa. Já temos problemas suficientes."
Rosario, de braços cruzados, deu um passo à frente com um sorriso zombeteiro no rosto.
—Além disso, você já causou danos suficientes ao abandonar seus filhos. Não venha agora tentar despertar pena.
Aquelas palavras foram uma punhalada direta na alma de Esperanza. Seus filhos. Ela os havia deixado aos cuidados de uma tia em Oaxaca porque era a única maneira de cruzar a fronteira e garantir um futuro para eles, algo que Dona Carmen nunca quisera sustentar. Cada centavo, cada esforço, fora para eles e para manter aquela casa.
Esperanza respirou fundo, engolindo as lágrimas.
"Serão apenas alguns dias", implorou ela suavemente, baixando o olhar para tornar sua atuação mais convincente. "Posso dormir no chão do pátio. Não será um incômodo."
Dona Carmen soltou uma risada seca e amarga.
—No chão da minha casa? Nem pense nisso.
A velha senhora apontou com seus binóculos para o final da rua, onde se erguia a cúpula da igreja paroquial da aldeia.
—Vá ao abrigo da igreja. Eles acolhem aqueles que estão passando por dificuldades.
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