—Siga com o plano original, senhor.
O homem acenou com a cabeça formalmente.
—Certo. Confirmamos então que o imóvel localizado na Calle Hidalgo, número 37, será transferido imediatamente para o programa habitacional da Fundação Morales.
O rosto de Dona Carmen perdeu toda a cor, ficando branco como papel. Sua respiração tornou-se acelerada.
"O quê... o que isso significa?" gaguejou a velha, agarrando-se ao batente da porta para não desabar.
O advogado respondeu com a mesma voz clínica de antes.
—Isso significa que esta casa será legalmente doada ao estado e reformada para funcionar como um abrigo completo. Ela abrigará mães solteiras de baixa renda em Jalisco, oferecendo a elas e a seus filhos um lugar seguro.
Rosario soltou um grito estridente e dilacerante, esquecendo-se de qualquer tentativa de manter a compostura.
"Você não pode fazer isso! Você está louco! Você está deixando sua mãe na rua para entregá-la a estranhos!"
Esperanza olhou-a diretamente nos olhos, com uma calma que gelou o sangue.
—Claro que posso. A casa é minha. E prefiro dá-la a mulheres que sabem o que é lutar pelos seus filhos, em vez de a pessoas que vendem o seu amor por um cheque mensal.
Dona Carmen deixou-se cair pesadamente numa das cadeiras de vime no pórtico, levando as mãos ao rosto.
"E nós? Para onde vamos?", lamentou a matriarca.
Hope olhou para ela por cima do ombro. Não havia mais tristeza. Apenas o fim de um longo capítulo.
—Você tem exatamente 3 meses para desocupar o imóvel. Sugiro que comece a arrumar suas coisas.
O silêncio que se seguiu foi absoluto, quebrado apenas pelos soluços incontroláveis de Rosario e pelos suspiros de Dona Carmen. Esperanza não esperou mais. Caminhou em direção ao primeiro carro-forte. Um dos guarda-costas abriu a porta traseira para ela.
Antes de entrar, ela parou. Olhou para Dona Carmen uma última vez. A velha ergueu os olhos, na esperança de encontrar um lampejo de piedade nos olhos da filha.
—Mãe… —Esperanza a chamou.
A voz de Dona Carmen tremia de esperança.
—Sim, filha? Sim?
Próximo
Esperanza olhou para ela com uma expressão indecifrável.
—Se hoje, quando você me viu chegar suja e derrotada, tivesse me oferecido apenas um copo da água que está bebendo agora… —Ela fez uma pausa, deixando as palavras penetrarem na mente da mãe—… talvez o final desta história tivesse sido muito diferente.
Esperanza entrou no SUV. A pesada porta blindada bateu com um estrondo alto que ecoou pela rua. Os motores voltaram a roncar e o luxuoso comboio começou a se mover, deixando a Rua Hidalgo para trás.
Ao se afastar da casa que pagara com o suor do seu rosto ao longo de 23 anos, olhando através do vidro fumê para as ruas de paralelepípedos de Jalisco, Esperanza compreendeu algo que nenhuma conta bancária nos Estados Unidos jamais poderia lhe ensinar.
Às vezes, a verdadeira falência não se trata de perder dinheiro. Trata-se de perder o coração. E a família dele vivia em extrema pobreza há muitos anos.
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