Eu estava colocando flores no túmulo das minhas gêmeas quando um menino de repente apontou para a lápide e disse: "Mãe... aquelas meninas são da minha turma."

***

Ava e Mia tinham cinco anos quando morreram.

Num instante, a casa se encheu de barulho: Ava desafiou Mia a se equilibrar numa almofada do sofá, e Mia gritou: "Olha só! Eu consigo fazer melhor!" As risadas delas ecoavam pelas paredes da sala como música.

"Cuidado", avisei da porta, tentando não sorrir. "Seu pai vai me culpar se alguém cair."

Ava só me irritava. Mia mostrou a língua.

"A Macy já vai chegar, crianças. Tentem não dar dor de cabeça nela enquanto estivermos fora."

Esse foi o último momento normal com elas.

"Olha só! Eu consigo fazer melhor!"

A próxima lembrança vem em fragmentos.

Um telefone tocando. Sirenes por perto. E meu marido, Stuart, repetindo meu nome sem parar enquanto alguém tentava nos guiar pelo corredor do hospital.

Mordi a língua com tanta força, tentando não gritar, que senti o gosto de sangue.

Não me lembro do que o padre disse no funeral. Mas lembro-me de Stuart saindo do nosso quarto na primeira noite depois.

A porta fechou com um clique suave, mais alto que todos os outros.

Mordi a língua.

***

Então me ajoelhei junto ao seu túmulo e delicadamente empurrei os lírios na grama sob sua fotografia.

"Olá, meus amores", murmurei. Meus dedos roçaram a pedra fria. "Trouxe as flores que vocês gostam."

Minha voz saiu mais baixa do que eu esperava.

"Eu sei que faz muito tempo", ele continuou, "estou tentando visitar com mais frequência."

O vento bagunçou meus cabelos. E então ouvi o menino novamente.

"Mamãe! Aquelas meninas são da minha turma."

Virei-me lentamente. Não era mais coincidência.

"Olá, meus amores."

O menino parecia ter uns seis ou sete anos. Estava a poucos passos de distância, segurando a mão da mãe, apontando diretamente para a fotografia na lápide. Sua mãe abaixou o braço rapidamente. "Eli, querido, não há sinais."

Ela me olhou com um sorriso de desculpas.

"Desculpe", disse ela suavemente. "Você deve estar enganado."

Mas meu coração já estava acelerado.

"Por favor... posso perguntar o que você quis dizer?"

A mãe hesitou. Ela se inclinou para olhar o filho nos olhos. "Eli, por que você disse isso?"

"Você deve estar enganado."

Ela não tirou os olhos de mim. "Porque a Demi as trouxe. Elas estão na parede da nossa escola, bem ao lado da porta. Ela disse que são as irmãs dela e que agora moram nas nuvens."

Aquele nome. Isso não era coincidência.

Prendi a respiração. "A Demi é sua amiga na escola, querido?"

Ele assentiu, como se fosse óbvio. "Ela é legal. Ela disse que sente falta delas."

A mãe dele suavizou o tom. "Recentemente, na aula, fizemos um projeto sobre quem ocupa um lugar especial no nosso coração. A Demi trouxe uma foto com as irmãs dela. Lembro-me de como ela ficou chateada quando fui buscar a Eli. Mas veja bem, talvez elas só se pareçam..."

"Ela disse que sente falta delas."

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