Arquibancadas frias, minhas mãos tremendo, e Andrew me olhando como se soubesse que algo estava errado.
“O que foi?” ele perguntou. “Heather, você está me assustando.”
“Estou grávida.”
Ele empalideceu. Então, segurou minhas duas mãos. “Tudo bem. Tudo bem, querida.”
Lembro-me de olhar para ele. “Está tudo bem?”
“Vamos dar um jeito nisso”, disse ele. Sua voz tremia, mas ele não me soltou. “Está tudo bem?”
“Heather, você está me assustando.”
***
De volta à minha cozinha, Leo sussurrou: “Então ele sabia.”
“Sim, eu contei para ele, querido.” “Eu prometo.”
Continuei lendo.
Matilda explodiu. Seu pai já tinha conseguido uma transferência para outro estado, e ela decidiu que iriam embora mais cedo. Andrew implorou para que ela viesse me ver primeiro. Implorou para que ela ficasse tempo suficiente para explicar. Ela se recusou.
Então Gwen escreveu a parte que me deixou com a visão turva.
Andrew escrevia cartas, mas sua mãe as interceptava.
Matilda tinha explodido.
Eu não recebi nenhuma.
Dei um passo para trás com tanta força que a cadeira arrastou no chão.
"Não."
Leo se levantou. "Mãe..."
"Não." Segurei a borda do balcão com força. "Não, de jeito nenhum."
"Tem mais", disse ele gentilmente.
Olhei para ele.
Ele engoliu em seco. "Ela disse que algumas cartas foram escondidas. Algumas foram expulsas, e outras..." Ele olhou para o celular. "Algumas foram guardadas em uma caixa no sótão."
"Não, de jeito nenhum."
Uma caixa: prova concreta. Eu precisava ver.
Encarei a caixa, depois a tela. "Passei dezoito anos pensando em fugir."
Nesse instante, minha mãe entrou pela porta dos fundos carregando pãezinhos.
"Trouxe os bons", ela gritou. Então parou. “Heather? O que aconteceu?”
Virei-me para ela, ainda segurando o celular do Leo.
“Ele mandou uma mensagem.”
Ela franziu a testa. “Quem?”
“Andrew.”
Meu pai apareceu atrás dela. “O que está acontecendo?”
“Heather? O que aconteceu?”
Entreguei o celular para minha mãe. Ela leu a conversa enquanto meu pai lia por cima do ombro dela.
A expressão da minha mãe mudou primeiro. “Ted”, ela sussurrou. “Ele mandou uma mensagem para ela.”
Meu pai praguejou baixinho.
Leo olhou entre nós. “Você não sabia?”
“Se eu soubesse que o Andrew queria se envolver”, respondeu meu pai, “eu mesmo teria ido até aquela casa.”
“Ted”, disse minha mãe.
“Ele escreveu para ela.”
“Não, Lucy. Aquela mulher deixou nossa filha pensar que estava abandonada.”
A voz dele falhou na última palavra, e foi isso que finalmente me despedaçou.
Era meu pai, quase chorando na minha cozinha, porque alguém tinha roubado anos meus e do Leo.
Meu filho atravessou a sala e me abraçou.
"Desculpe", ele sussurrou. "Eu não sabia que ia ser assim."
Parei e acariciei seu rosto. "Não se desculpe por me contar a verdade, meu bem. Preciso que você saiba que não estou brava com você."
Sua voz embargou na última palavra.
Seus olhos também estavam marejados.
"Então ele não foi embora?", perguntou.
Levei a mão à boca e balancei a cabeça negativamente.
"Não, meu bem. Acho que eles guardaram para nós."
A cozinha ficou em silêncio.
Um minuto depois, Leo disse: "A Gwen quer nos conhecer. Ela disse que ainda tem a caixa."
Foi tudo o que bastou para nos fazer partir.
A cozinha ficou em silêncio.
***
Às seis horas, Leo e eu estávamos no meu carro a caminho de dois condados, e meus pais ainda estavam na caminhonete do meu pai, como se tudo agora fosse uma operação familiar.
Leo continuava relendo as mensagens de Gwen. Eu mantive as duas mãos no volante porque, se soltasse, achava que ia desabar.
Gwen morava em uma casinha branca com vasos de plantas na varanda. Meus pais prometeram ficar na caminhonete, a menos que precisássemos deles. Ela abriu a porta antes mesmo de batermos.
Ela tinha a boca do Andrew. Aquilo quase me derrubou.
Leo continuou relendo as mensagens de Gwen.
“Heather?”, ela perguntou.
Eu assenti.
Ela começou a chorar. “Sinto muito.”
Então ela olhou para Leo e cobriu a boca. “Meu Deus. Querida, você é a cara dele.”
Leo olhou para mim, impotente.
Dei um passo à frente e a abracei.
"Sinto muito."
Lá dentro, ela não perdeu tempo.
"A caixa está lá em cima", disse ela. "Tem todas as cartas dele que eu consegui encontrar."
"Você realmente tem todas?", perguntou Leo baixinho.
Gwen assentiu. "Encontrei-as depois que nossa mãe morreu no inverno passado."
Ela nos levou até o sótão. Estava quente e cheirava a papel velho.
Então ela se ajoelhou ao lado de um contêiner e levantou a tampa.
"A caixa está lá em cima."
Cartas. Pilhas delas, junto com cartões de aniversário e envelopes devolvidos, meu nome escrito à mão por Andrew.
Minhas pernas fraquejaram e eu me sentei no chão.
Leo desabou ao meu lado.
Gwen me entregou o primeiro envelope com as duas mãos, como se fosse se romper.
"Comece por aí", disse ela.
Eu o abri.
Leo desabou ao meu lado.
"Heather,
Eu sei que isso parece ruim. Por favor, não pense que eu te abandonei. Estou tentando voltar. Eu prometo.
—A."
O ar me faltou.
"Mãe?", Leo sussurrou.
Eu não consegui responder. Peguei outra carta.
"Eu não sei se você me odeia. Minha mãe diz que sim. Eu não acredito nela, mas não sei como entrar em contato com você."
"Oh, não, não, não", murmurei.
"Eu sei."
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