Armando olhou para a mesa que Valeria acabara de limpar e passou o dedo indicador pela borda de madeira. Levantou-o no ar com desgosto, como se tivesse tocado em algo radioativo. "É isso que você chama de limpeza, Mendoza?", sibilou o gerente. Sua voz era baixa, mas carregada de veneno, não para interromper os clientes ricos, mas perfeita para destruir sua funcionária. "Eu te pago para deixar o lugar brilhando, não para espalhar sujeira por aí."
Valéria abaixou a cabeça imediatamente. Javier sentiu um aperto no peito com aquele gesto. A Valeria que ele conhecia jamais, em hipótese alguma, se curvaria diante de alguém. Ela era feroz, orgulhosa, uma mulher que não se deixava pisotear. Agora, seu queixo tocava o peito em um ato de total submissão. "Desculpe, Sr. Vargas", respondeu Valeria, com a voz trêmula e rouca de sede. "Vou desinfetar agora mesmo. Fiquei um pouco tonta, mas foi só por um segundo."
“Não me importo com suas desculpas esfarrapadas”, disse Armando, aproximando-se dela de forma intimidadora. Valeria, lutando contra a enorme barriga, deu um passo desajeitado para trás. “Você passou a semana inteira se arrastando pela sala. Se continuar se movendo como uma tartaruga, vai acabar na rua hoje.” “Não, por favor!”, implorou ela, finalmente erguendo os olhos. Os olhos de Javier se arregalaram diante do puro terror no rosto da mulher que amava.
“Sr. Vargas, por favor, eu preciso deste emprego. O aluguel vence na sexta-feira e eu não tenho dinheiro para a clínica. Juro que serei mais rápida. Não me demita. Eu imploro.” O som do apelo de Valeria perfurou o peito de Javier como uma faca serrilhada. Ele sentiu o sangue pulsar em seus ouvidos. A raiva que sentira por ela apenas dois minutos antes estava se transformando em um instinto sombrio, primitivo e perigoso. Ele queria matar Armando Vargas com as próprias mãos. “Essa barriga que você está carregando não é problema meu, Mendoza”, cuspiu Armando, apontando para a enorme barriga sob o uniforme laranja. “Não me importo se você está grávida. Ninguém te obrigou a abrir as pernas. Você está aqui para trabalhar. Se não consegue acompanhar o ritmo porque seu bebê está pesado demais, vá mendigar na rua, é lá que você pertence. Você tem três minutos para limpar esta área impecavelmente, ou arruma suas coisas e vai embora. Entendeu?” A crueldade de suas palavras ecoou no pequeno espaço.
Uma lágrima grossa e silenciosa escorreu pela bochecha de Valeria, misturando-se ao suor. Ela apertou os lábios, contendo os soluços, e assentiu freneticamente. “Sim, senhor, entendi.” “Vou deixar impecável”, murmurou ele, agarrando o pano com as mãos trêmulas e começando a esfregar a madeira desesperadamente, com o corpo curvado em evidente agonia. Armando sorriu satisfeito, ajeitando as lapelas do paletó e se virando para sair. Mas não foi muito longe. Uma mão do tamanho de um prato de jantar fechou-se em volta de seu pescoço por trás, agarrando o tecido de seu terno cinza com tanta força que os botões de sua camisa ameaçaram estourar.
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