Ela queria lhe dizer que a criança era dele, mas os capangas foram claros. Se ele descobrir, não vamos apenas jogá-lo na cadeia, vamos matá-lo lá. Você vai embora e desaparece, e se falar, o desgraçado não vai nascer. Valéria engoliu o choro, cerrou os dentes e buscou forças no desespero. Seu rosto se transformou, assumindo uma máscara de arrogância forçada, fria e vazia. "Não seja ingênuo, Javier", disse ela, cuspindo as palavras com um desprezo que queimava sua garganta.
"A criança não é sua, é dele. Do homem por quem eu te troquei." Javier sentiu como se um balde de água gelada tivesse sido jogado em sua nuca. Uma dor física o atravessou. Seus músculos se contraíram até doerem. Dele, Javier soltou uma risada irônica e áspera, cheia de incredulidade e ressentimento, vinda do milionário europeu. “E onde ele está? Por que a esposa de um magnata está limpando as obras de arte de Armando Vargas vestida de laranja? Onde estão seus luxos, Valeria?” Valeria desviou o olhar, incapaz de sustentar a mentira diante do olhar penetrante dele.
Ela encarou o lixo. “Ele me abandonou.” Ela deixou escapar a mentira abruptamente, a voz trêmula, mas ainda mantendo a farsa. “Foi um erro. Eu fui estúpida. Aquele desgraçado que me disse que eu estava grávida. Ele cancelou meus cartões de crédito e me deixou na mão. Tive que voltar para Monterrey. Tive que arranjar qualquer emprego para não morrer de fome.” Javier processou cada palavra. Seus olhos percorreram o rosto dela. Valeria o encarava como se ele fosse um detector de mentiras. Ele observou o lábio rachado pela desidratação.
Observou a postura curvada dos ombros dela. Observou a vergonha em seu rosto. “Então é isso”, murmurou Javier, dando um meio passo para trás como se a mera presença dela o contaminasse. “Você me trocou por uma fantasia. Você foi dormir com um idiota por dinheiro, e quando ele te deixou com o problema na barriga, você acabou acumulando miséria. O karma é uma vadia impiedosa, não é, Valeria?” As palavras de Javier foram como facadas no coração. Valeria sentiu como se estivesse sufocando, mas assentiu lentamente, aceitando a punição, aceitando o ódio nos olhos do homem por quem estava sacrificando a própria vida.
“Sim, Javier”, ela sussurrou, uma lágrima traiçoeira finalmente escapando e rolando por sua bochecha suja. “Eu sou estúpida. Você tem razão. Você viu o quão miserável eu estou. Você já se vingou. Agora, por favor, vá embora.” Deixe-me continuar trabalhando para que eu possa comprar fraldas para o meu filho. Javier a encarou por um longo segundo. O ódio era evidente, sim, mas a inteligência de Javier Garza não estava embotada pela raiva. Havia algo na voz de Valeria. Havia algo na maneira como ela cerrava os dentes, na forma como seu corpo tremia não de medo, mas de dor física.
As peças não se encaixavam. A mulher egoísta e implacável que ela descreveu não imploraria por perdão com os olhos enquanto cuspia veneno pela boca, mas o orgulho é um monstro cego. Javier endireitou a postura, ajustou as lapelas do paletó com um gesto calculista, vestindo mais uma vez sua armadura de aço inflexível. Seu rosto tornou-se uma máscara letal e inexpressiva. "Tenho pena de você, Valeria", disse ele, com a voz fria como gelo. "Espero que o salário mínimo seja suficiente para alimentar seu orgulho." Sem dizer mais nada, Javier Garza se virou e caminhou de volta para a porta dos fundos do restaurante.
Para ver as instruções de preparo completas, vá para a próxima página ou clique no botão Abrir (>) e não se esqueça de COMPARTILHAR com seus amigos no Facebook.
