Um pai entregou sua filha de 19 anos para quitar uma dívida com o mais frio.

O coronel gritava ordens. Organizava os homens.

Mariana arregaçou as mangas. Pegou os baldes. Juntou-se à corrente humana, caminhando de braços dados com os trabalhadores.

Suas mãos estavam cheias de bolhas. Seu vestido, chamuscado. Mas ela não parou.

Quando o fogo finalmente se apagou, sentaram-se exaustos no chão quente.

O coronel olhou para ela. De verdade. Pela primeira vez.

Disse que ela não precisava fazer aquilo.

Mariana respondeu com firmeza que aquela também era a casa dela.

Ele soltou uma risada seca. A primeira em anos.

E na cozinha, cuidou dos ferimentos dela com as próprias mãos.

O silêncio entre eles mudou.

Não era mais frio.

Tornou-se morno.

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