Mas em Nova York, um doutor não pagava o aluguel e certamente não pagava as sessões de diálise da mãe em Ohio, então ele serviu o vinho, dobrou os guardanapos e aguentou firme. Era uma terça-feira de novembro, o tipo de noite chuvosa e miserável de Nova York que faz os ricos se sentirem ainda mais ricos porque estão secos e com calor lá dentro. O restaurante estava cheio. Ele, um francês nervoso chamado Claud, estava suando em bicas.
“A mesa quatro é sua, Casey”, disse Cloud, colocando uma carta de vinhos encadernada em couro em suas mãos. “São os High Towers, tenha cuidado. Da última vez, ela devolveu a água porque os cubos de gelo não eram quadrados.” O estômago de Casey revirou. Todos no ramo da hotelaria conheciam os High Towers, ou melhor, todos conheciam Cynthia High Tower. Seu marido, Preston High Tower, era gestor de fundos de investimento. Ele era quieto, taciturno e tinha uma fortuna de cerca de 4 bilhões de dólares.
Ele era o dinheiro. Cynthia era o barulho. Ela era sua segunda esposa, 20 anos mais jovem que ele. Uma ex-modelo de catálogo que usava sua insegurança como arma. Ela tinha pavor de não pertencer a lugar nenhum, então se certificava de que todos ao seu redor também se sentissem deslocados. Casy respirou fundo, alisou o avental e caminhou até a mesa de canto. Eles pareciam a própria imagem da miséria. Preston checava seus e-mails no Blackberry, alheio ao que acontecia ao redor. Cynthia olhava seu reflexo no dorso de uma colher, retocando o delineador labial.
Ela usava um vestido que provavelmente custava mais do que toda a dívida estudantil de Casey, uma peça de grife vermelho-sangue que destoava do assento de veludo. "Boa noite, Sr. e Sra. High Tower", disse Casey com voz firme e ensaiada. "Sejam bem-vindos de volta ao Lato. Meu nome é Casey e serei eu quem os atenderá esta noite. Gostaria de água com gás ou talvez um coquetel?" Preston não levantou os olhos. Um uísque puro de 30 anos, se tiverem. Cinttia bateu a colher na mesa, fixando os olhos em Casey.
Elas estavam frias. Ela examinou Casey do coque desarrumado aos sapatos de trabalho. Era um olhar de puro julgamento. "Não quero com gás", disse Cynthia, com a voz anasalada e cortante. "Quero sem gás, mas em garrafa de vidro, não de plástico. Consigo sentir o gosto do plástico, e preciso ter certeza de que está em temperatura ambiente. Se houver condensação no vidro, vou devolver." "Claro, Sra. High Tower", disse Casey. "Garrafa de vidro em temperatura ambiente." "E traga os cardápios", disparou Cynthia, gesticulando com a mão bem cuidada como se estivesse espantando uma mosca.
Os menus verdadeiros, não os turísticos. Não havia menus turísticos, apenas um menu. Mas Key assentiu obedientemente de imediato. O problema começou 10 minutos depois. Quando Casey voltou com as bebidas — água à temperatura ambiente perfeita para Cynthia e um Glengin de 30 anos para Preston — ele deixou os menus sobre a mesa. O Tao se orgulhava de sua autenticidade. O menu era escrito inteiramente em francês, com descrições em inglês em letras cursivas menores abaixo.
Casy recostou-se, com as mãos cruzadas atrás das costas, e esperou. Cynthia olhou para o cardápio com os olhos semicerrados. A luz de velas era fraca, romântica para alguns, frustrante para aqueles que se recusavam a usar óculos de leitura porque achavam que os faziam parecer mais velhos. Cynthia estava visivelmente perturbada. Ela se ajeitou na cadeira, aproximou o cardápio e depois o afastou novamente. "Típico do Preston", disse ela. Preston resmungou, digitando uma resposta a um e-mail. "Preston, guarde o celular", ordenou ela, embora mantivesse a voz baixa.
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