Isso não é seguro, é repugnante. Ela se inclinou mais perto do rosto de Casey. Seu perfume era forte e enjoativo. "Você não passa de uma empregada analfabeta", sibilou Cynthia, pronunciando cada sílaba com ênfase. "Não fale comigo até aprender a ler inglês direito. Saia da minha frente e me mande alguém que ao menos tenha terminado o ensino fundamental." Casey ficou parada. Sentiu os olhares de cinquenta pessoas fixos nela. Viu Cloud, o gerente, correndo em sua direção com uma expressão apavorada, pronto para se desculpar, pronto para convidá-la para almoçar, pronto para sacrificar Casey para apaziguar a esposa do bilionário.
Mas algo dentro de Key se quebrou. Não foi uma ruptura violenta; foi um estalo silencioso, frio e decisivo. A parte dela que era Casy, a garçonete, o fantasma submisso e invisível, morreu naquele instante. E Casey Miller, a doutoranda, a acadêmica, a mulher que passou os últimos seis anos decifrando os textos jurídicos mais complexos da história da humanidade, deu um passo à frente. Ela não recuou, não procurou por Claud; em vez disso, enfiou a mão no bolso do avental, não tirou um bloco de notas, tirou uma caneta tinteiro Mon Blanc, um presente de seu falecido pai, a única coisa de valor que possuía.
Ele pegou o cardápio da mão de Cynthia, a sua ainda imóvel, e o colocou delicadamente sobre a mesa. "Sra. High Tower", disse Casey. Sua voz não era mais o tom suave típico do setor de serviços. Era mais grave, ressonante, a voz de alguém que já havia dado palestras em grandes auditórios. "A senhora está preocupada com o meu nível de alfabetização? Essa é uma preocupação válida em relação à segurança dos seus alimentos." Então, vamos colocar à prova. Ele virou o cardápio na seção onde terminava a carta de vinhos, e um bloco de texto descrevia a história do restaurante.
Mas Casey não leu aquilo. Pegou um guardanapo de linho, alisou-o sobre a mesa e destampou a caneta. A tinta era azul-escura. "Já que você está tão absorta na leitura", disse Casey, olhando diretamente nos olhos de Cynthia, "acho que deveríamos conversar sobre o documento que vi saindo da pasta do seu marido quando você se sentou. Aquele que você estava tentando tanto ignorar enquanto retocava o batom." Cynthia congelou. "Com licença." Os olhos de Preston High Tower se estreitaram.
Ele olhou para a pasta no assento ao lado. Um pedaço de documento estava visível. Era um acordo de confidencialidade padrão, ou pelo menos era o que parecia. Casey começou a rabiscar no guardanapo. Escreveu rapidamente com uma caligrafia cursiva elegante e precisa. "Tenho memória fotográfica, Srta. High Tower. É uma maldição, na verdade, mas é útil para estudar dialetos antigos ou contratos legais." Ele terminou de escrever e virou o guardanapo para que Cynthia pudesse ver. "Você me chamou de analfabeto", disse Casey, com a voz ecoando pela sala.
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