Ele cobriu as paredes com lã, sem saber que isso lhe salvaria a vida quando uma nevasca soterrou a cidade.

Ele olhou para ela com uma expressão que poderia ser de pena ou de desprezo.

Quer um conselho? Arranje um marido. Encontre uma família para passar o inverno. Aquela cabana onde você mora é só uma casca vazia. Uma tempestade forte e o vento vai destruí-la como se ela nem existisse. Duas pilhas de lenha, sem isolamento, completamente sozinha lá fora. Ela balançou a cabeça. Eu vi os pastores de Grande irem e virem. Os que conseguem, recebem ajuda. Os que não conseguem...

Ele deixou a sentença em aberto.

Ingred comprou dois feixes de lenha. Só lhe restavam dois dólares. A entrega chegaria em três dias. Voltou para sua cabana, com os cálculos girando na cabeça: oito semanas de combustível, dezesseis semanas de inverno, dez semanas a menos, paredes que deixavam o vento entrar, um fogão rachado, vinte e quatro ovelhas para manter vivas e a voz de Elias Croft tão certa quanto um veredicto. Aqueles que não conseguirem.

O que eu não sabia, enquanto dirigia para casa no calor de agosto, era que o inverno não esperaria 16 semanas. Ele chegaria em 10.

Setembro trouxe as primeiras noites frias. Ingrid acordou com geada na parte interna da janela e, ao respirar, a condensação persistia no ar. O jornal que a enchia havia se comprimido e encolhido pelas frestas. Ela conseguia ver a luz do dia através das paredes em sete pontos. Passou o mês pastoreando seu rebanho nas colinas ao norte de Musselshell, observando-os engordar com a última pastagem do verão. As ovelhas estavam saudáveis. Os cordeiros estavam crescendo. A lã em seus dorsos era espessa e oleosa, encharcada de lanolina, poeira e cardos. Quando tosquiou os cordeiros da primavera pela primeira vez, a lã se soltou em camadas pesadas e oleosas que cheiravam a animal e terra.

Foi o cheiro que o fez pensar nisso.

Numa tarde de setembro, sentada em sua cabana, enrolada no casaco porque o fogão não conseguia aquecer o cômodo mais rápido do que as paredes dissipavam o calor, ela encarava a pilha de lã danificada no canto: lã da barriga, etiquetas, pedaços sujos demais ou feltrados demais para os Grandes Comerciantes venderem. Karen tinha lhe dito para queimá-los ou enterrá-los. Os comerciantes da vila nem sequer os considerariam. O cheiro forte e oleoso de lanolina impregnava a cabana. E Ingred se lembrou da fazenda de sua avó na Noruega. Lá, as paredes de pedra eram cobertas com feltro e tecido, camadas de lã pressionadas em cada fresta por onde o frio pudesse penetrar.

A avó dela lhe explicara isso certa vez. A gordura e a lã não lavada impediam a penetração da umidade, e as fibras encaracoladas prendiam o ar em milhares de pequenas bolsas. As ovelhas sobreviviam ao frio graças ao seu próprio isolamento natural. A lã não era apenas quente, mas também impermeável.

Ingred se levantou.

Ele aproximou-se da pilha de retalhos de lã. Pegou um punhado e pressionou-o contra a parede, numa das frestas por onde entrava a luz do dia. O vento amainou. Ele segurou-a ali por um instante, sentindo a brisa dissipar-se na palma da mão. Depois, retirou a lã e examinou a fresta. As fibras tinham-se comprimido, preenchendo completamente o espaço. Quando a soltou, elas recuperaram ligeiramente a sua forma original.

Ele olhou para a pilha. 18 quilos de entulho danificado, talvez mais.

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