Luzes vermelhas e azuis piscavam pela estreita rua em direção ao leste, transformando o mundo em uma névoa caótica e rítmica. Vizinhos de pijama e suéteres largos estavam encolhidos do lado de fora, os rostos envoltos em um brilho alaranjado doentio, enquanto as chamas devoravam o telhado da casa que eu havia reconstruído tábua por tábua. O ar cheirava a gesso queimado, aceleradores químicos e cinzas úmidas — aquele cheiro denso e nauseante que penetra nos poros e permanece no cabelo por dias, mesmo depois de arranhar a pele até sangrar.
Chelsea ajoelhou-se no cascalho, os pés descalços empalidecendo contra as pedras escuras, o rímel borrado de preto em suas bochechas. Ela gritava sobre o encanamento quebrado, os móveis de veludo desgastados e repetia sem parar que aquilo não deveria estar acontecendo. Bombeiros a cercavam, fazendo gestos pesados e precisos, gritando slogans que soavam como uma língua estrangeira, arrastando mangueiras amarelas em direção à varanda. Meus pais estavam um pouco mais afastados; Minha mãe apertava um diário de couro contra o peito como um escudo, os nós dos dedos brancos, como se uma página esquecida pudesse estar lá dentro, capaz de remendar uma queda.
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Eu não gritei. Não corri para o calor.
Agarrei com força o anjo de cerâmica em sua caixa de papelão e sussurrei tão baixinho que o vento quase o levou embora:
"Você não deveria ter tocado nele."
## Banquete Dourado e Chaves de Cobre
Quarenta e duas horas antes, minha mãe estava nesta varanda e me disse que esta casa nunca tinha sido realmente minha. Mas a verdade é que eu sei exatamente quando deixei de ser filha e me tornei um problema a ser resolvido.
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