As mãos da caixa pararam de se mover sobre o teclado. Ela olhou para a tela, depois para mim, e então de volta para a tela. Seu rosto empalideceu.
“Senhor”, disse ela, com a voz mal passando de um sussurro, “preciso chamar meu gerente.”
Sentei-me em uma cadeira de plástico, segurando nas mãos a caderneta de poupança surrada do meu avô. Aquela mesma que meu pai havia arrancado de mim cinco anos atrás, no meu casamento. A mesma caderneta da qual todos haviam zombado — aquela exata que eu mantivera guardada na gaveta da minha mesa de cabeceira por meia década, simplesmente porque não conseguia ter coragem de jogar fora o último presente que meu avô me dera.
“Aconteceu alguma coisa?”, perguntei.
“Não, senhor. Não há nada de errado. Eu só... preciso chamar meu gerente. Por favor, aguarde aqui mesmo.”
Ela praticamente correu em direção aos fundos do banco. Olhei novamente para a caderneta. Estava velha e amarelada; sua capa mole, desgastada pelo uso de décadas, estava lisa ao toque. Na capa, em letras azuis desbotadas, lia-se o nome “First Cleveland Savings and Loan” — um banco que não existia sob esse nome desde 1987. No interior, o primeiro registro tinha a data de 15 de março de 1971: um depósito de 8.000 dólares. Estava escrito com a caligrafia do meu avô — caprichada e meticulosa — no espaço reservado para os clientes registrarem suas próprias transações. Meu pai me dissera que a caderneta não tinha valor algum. Minha mãe me dissera para não passar vergonha. Meu irmão riu e disse que provavelmente havia cinquenta centavos na conta — se é que ela ainda existia. Mas eu vim assim mesmo, porque o vovô havia me pedido. Porque doze anos de visitas aos domingos haviam me ensinado a confiar nele. Porque o brilho em seus olhos, ao me entregar aquela caderneta no dia do meu casamento, não era o olhar de um velho senil. Era o olhar de alguém entregando algo precioso. Eu deveria ter vindo antes, mas a vida prega peças na gente, e a dúvida acaba se instalando. E quando todos que você conhece dizem que algo não tem valor, você acaba acreditando neles. Arrependo-me de ter acreditado neles. Uma gerente surgiu dos fundos — uma mulher de meia-idade, de terno cinza, usando um crachá onde se lia: "Patricia Holloway, Gerente da Agência". Caminhando atrás dela vinha outro homem — mais velho, vestindo um terno mais caro. Ele parecia alguém que tivesse sido interrompido no meio de algo importante.
"Sr. Mercer?", perguntou Patricia, aproximando-se da minha cadeira. "Sou Patricia Holloway. Este é David Chun, nosso Diretor Regional. Acontece que ele estava visitando nossa agência hoje."
"Há algum problema com a conta?"
Patricia e David trocaram olhares. Então, David puxou uma cadeira e sentou-se à minha frente.
"Sr. Mercer, não há problema algum. Muito pelo contrário."
Ele olhou para a caderneta de poupança que eu segurava nas mãos. "Esta conta está ativa desde 1971. Foi aberta na First Cleveland Savings and Loan, que foi adquirida pela Ohio National em 1987, depois pela United Midwest em 2003 e, finalmente, por nós — o National Ohio Bank — em 2015. Apesar de todas essas aquisições, a conta permaneceu ativa."
"Ativa? Meu pai disse que ela teria sido encerrada décadas atrás."
"Geralmente, sim. Contas inativas costumam ser encerradas após um certo período de inatividade, mas esta conta nunca ficou inativa."
David fez uma pausa.
"Sr. Mercer, seu avô fazia depósitos mensais — duzentos dólares por mês, sem falta — durante cinquenta e dois anos: de março de 1971 até fevereiro deste ano."
Eu o encarei.
"Isso é impossível. Meu avô estava falido. Ele morava em uma casa pequena. Dirigia um caminhão desde 1987. Usou as mesmas roupas por trinta anos."
"Não posso opinar sobre o estilo de vida dele. Só posso lhe dizer o que os registros mostram."
David inclinou-se para a frente.
"Sr. Mercer, talvez o senhor devesse vir ao meu escritório. Esta conversa requer um pouco de privacidade."
Eu os segui até um escritório de canto, com paredes de vidro e vista para o horizonte de Cleveland. Patricia fechou a porta atrás de nós. David sentou-se à sua mesa e digitou algo no computador. “O depósito inicial, em março de 1971, foi de oito mil dólares”, disse ele, lendo na tela. “Uma quantia bastante considerável para a época. Naquele tempo, seu avô programou uma transferência mensal automática de duzentos dólares, saindo de sua conta-corrente nesta mesma instituição. Essa transferência continuou ininterrupta por cinquenta e dois anos.”
“Cinquenta e dois anos a duzentos dólares por mês”, eu disse, fazendo as contas de cabeça. “Isso dá cerca de cento e vinte e cinco mil em depósitos.”
“Sim. Mas tratava-se de uma conta poupança de alto rendimento, com juros compostos. Em 1985, seu avô converteu uma parte dos fundos em certificados de depósito, que foram posteriormente renovados diversas vezes a taxas de juros favoráveis. Em 1992, ele também adquiriu ações com reinvestimento de dividendos em várias empresas de primeira linha, por meio de nossa divisão de investimentos.”
“Meu avô fez tudo isso? Ele mal terminou o ensino médio.”
“Alguém fez. Os registros indicam que as decisões foram tomadas pessoalmente nesta agência, mediante a devida identificação.”
David virou o monitor para que eu pudesse vê-lo.
“Sr. Mercer, o saldo atual da conta — incluindo...”
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