Enquanto o carro percorria as ruas ainda adormecidas de Madri, rasguei meu antigo chip em dois, bloqueei Alejandro, apaguei toda a sua família, desliguei a esposa dócil e deixei nascer a mulher que eu jamais deveria ter abandonado.
Porque havia algo que Alejandro Aguilar não sabia.
Algo que transformaria seu desprezo na ruína mais íntima de sua vida.
A mulher que ele descartou como se não valesse nada não era uma esposa inútil, uma sombra agradecida ou um enfeite doméstico.
Eu era Elena Lobo.
E eu também era a lendária Dra. E.
A única cirurgiã capaz de salvar o coração da mulher por quem ele decidira me destruir.
Os dias seguintes foram estranhamente leves.
Não felizes. Ainda não. Mas leves.
É curioso como a dor deixa de nos esmagar quando entendemos que não temos mais nada a provar. No apartamento particular de Andrés, com vista para uma cidade úmida e cinzenta, sentei-me pela primeira vez em três anos para revisar prontuários médicos. O cheiro de papel, tinta e café forte me trouxe de volta a mim mesma com uma violência maior que a do divórcio.
Minhas mãos se lembraram.
Minha mente se lembrou.
Meu corpo inteiro se lembrou de quem eu era.
Antes de Alejandro, antes do nome Aguilar, antes de me tornar dona de casa em um império que nunca me conquistou de verdade, eu era um prodígio da cirurgia cardíaca. Publiquei pesquisas, conduzi procedimentos impossíveis, viajei entre os Estados Unidos e a Europa, e o nome Dra. E circulava em conferências fechadas onde apenas sobrenomes que faziam hospitais inteiros tremerem eram mencionados.
Então, escolhi me esconder.
Ninguém me obrigou completamente. Essa foi a parte mais amarga.
Desisti porque amava. Desisti porque acreditava que construir uma casa também poderia ser uma forma de grandeza. Desisti porque confundi sacrifício com virtude.
Andrés sentou-se à minha frente e colocou uma pasta vermelha sobre a mesa.
"Cristina Serrano", disse ele.
Abri a pasta.
Insuficiência cardíaca avançada. Danos graves nas válvulas. Risco cirúrgico extremamente alto. Tempo limitado.
Olhei para cima.
"E ele?"
"Desesperado", respondeu Andrés. "Está procurando o Dr. E por toda a Europa. Está disposto a pagar qualquer preço."
Um sorriso surgiu em meu rosto, mas não era de alegria. Era o tipo de ironia que só aparece quando a vida tem um senso de humor cruel.
Alejandro não sabia que a mulher que ele havia expulsado de casa era a única capaz de salvar Cristina.
Ele não sabia que o destino o havia colocado exatamente na mesa onde certas dívidas são acertadas.
"Elabore um contrato", eu disse. "Cinco milhões. Pagamento integral à vista. Sem contato direto com a família. Sem fotos. Sem vídeos explícitos. Toda a comunicação será feita por você." Se você quebrar uma única cláusula, tudo estará cancelado.
Andrés assobiou baixinho.
"Isso soa menos como uma cobrança e mais como uma lição."
"É os dois."
Meia hora depois, o contrato foi impresso.
Quinze minutos depois, Alejandro Aguilar o assinou.
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