Parte 5
O salão de baile do aniversário, com vista para o mar do segundo andar do complexo, era feito de pedra clara, com paredes de vidro infinitas e arranjos florais tão caros que pareciam quase irreais. A luz da manhã entrava pelas janelas e iluminava os talheres. O ar cheirava a orquídeas, café, manteiga de brunch e, sempre que as portas do terraço se abriam, ao mar.
Meus avós estavam sentados à mesa central.
Vovó June usava um casaco de seda azul e brincos de pérola que provavelmente tinham sobrevivido a metade dos casamentos presentes. Vovô Walter parecia um pouco desconfortável em seu paletó de linho, mas muito feliz por estar ao lado dela. Eles eram o único motivo pelo qual ele havia concordado em vir. June apertou minha mão quando me inclinei para beijar sua bochecha.
"Você parece cansada", murmurou ela.
"Um voo longo."
Seus olhos se demoraram em meu rosto. Eu sempre percebia mais do que dizia. "Você está bem?"
"Sim."
Não totalmente verdade. Quase.
Chloe chegou dez minutos depois, com um vestido branco que lhe caía tão bem que provavelmente tinha seguro próprio. Maquiagem impecável. Sorriso radiante. Se alguém na sala não tivesse passado a noite anterior ao alcance de uma armadilha federal, era porque optara por ignorá-la.
Vance entrou ao lado dela, com a aparência de quem tinha dormido numa cadeira. Arthur já tinha encontrado o champanhe. Minha mãe mexia nos guardanapos e nas flores, rearranjando os móveis nervosamente.
Quando os discursos começaram, fiquei perto da janela com um copo de água gelada. Lá fora, o Pacífico brilhava sob a luz do sol. Aqui dentro, reinava aquele silêncio ostentoso que sempre precede algum problema.
O mestre de cerimônias apresentou meus avós. Aplausos ecoaram pela sala. Chloe se levantou, alisou o vestido e caminhou até o palco com uma taça de champanhe na mão.
Claro.
“Meus avós nos ensinaram o valor da família”, começou ela, sorrindo para as mesas. “E da lealdade.” Ela mal havia terminado de falar quando as portas do salão de baile se abriram de repente.
O som ecoou pelo salão como um tiro.
Oito agentes federais entraram rapidamente e em formação, seus ternos escuros sobre coletes à prova de balas, seus distintivos brilhando sob os lustres. Os convidados se viraram e acenaram. Cadeiras arrastaram. Alguém perto do fundo sussurrou: "Jesus".
Arthur se levantou num pulo. "O que é isso?"
O agente principal nem sequer diminuiu o passo. Passou pelo meu pai, pela mesa do bolo, pelos músicos atônitos e parou aos pés do palco.
"Chloe Bennett Carter", disse ele. "Vance Carter."
Chloe abaixou o microfone lentamente. "Com licença?"
"Você está preso."
O salão se encheu de sussurros.
Arthur se colocou entre o policial e a mulher, peito estufado, rosto corado. "Houve um engano."
A expressão do policial não mudou. “Não, senhor.”
Naquele mesmo instante, mais dois policiais se aproximaram de Vance. Ele deu um passo para trás e bateu na quina de uma mesa. Crystal estremeceu. Um dos policiais agarrou seu pulso e o prendeu atrás das costas com força precisa.
“Espere”, disse Vance. “Você não pode…”
O punho estalou.
Aquele som ecoou mais longe do que qualquer voz alterada.
Chloe ainda segurava o microfone em uma das mãos. “Não me toque”, disse ela, mas sua voz estava fraca e aguda. Outro policial subiu ao palco.
“Senhora, abaixe o copo.”
Ela não abaixou.
O agente agarrou seu antebraço, e a flauta escorregou da mão de Chloe e se estilhaçou no chão perto de seu salto branco.
Minha mãe engasgou.
Vovó June fechou os olhos por um instante, como alguém absorvendo um choque sem se mexer.
Arthur tentou novamente, mais alto. “Minha filha não é uma criminosa.”
O agente principal virou-se o suficiente para olhá-lo. "Sua filha consta como diretora financeira de várias empresas de fachada usadas para canalizar pagamentos ligados a vulnerabilidades de defesa sigilosas."
Arthur o encarou sem expressão. Palavras não tinham lugar na realidade que ele preferia.
Então seus olhos me encontraram.
"Harper."
Meu nome ecoou pelo salão, atraindo a atenção de metade dos presentes.
Ele me empurrou para o lado. Minha mãe também se aproximou, pálida e trêmula. Ao nosso redor, os convidados erguiam seus celulares, inclinavam-se uns para os outros e cochichavam entre si, com aquela mistura perturbadora de constrangimento e fascínio que acompanha a cena de outra família se desmoronando em público.
"Harper", disse minha mãe, segurando meu pulso. "Diga a eles que isso está errado."
Coloquei meu copo d'água na mesa mais próxima.
Arthur baixou a voz, como se isso pudesse tornar o pedido mais razoável. "Você conhece pessoas. Ligue para elas."
Minha mãe cerrou o punho. “Por favor. Ela é sua irmã.”
Atrás deles, policiais escoltavam Chloe.
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