O respeito pela igreja, pelos mais velhos e pela decência parecia ter evaporado dele junto com a sobriedade. “Não se intrometa, padre, isso é um assunto entre minha esposa e eu”, respondeu Alejandro, invadindo o espaço pessoal do padre de maneira ameaçadora e grosseira. “Ela tentou me humilhar dizendo como eu devo me comportar, e eu não sou fantoche de ninguém.” “Você me ouviu direito?”, continuou gritando, cuspindo enquanto falava. A multidão prendeu a respiração, temendo que o noivo também atacasse o representante da igreja.
O padre Tomás não recuou, o olhar fixo nos olhos vidrados do jovem, tentando encontrar algum vestígio do menino que conhecera anos antes. Mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Alejandro perdeu a pouca paciência que lhe restava e empurrou o padre com força no peito. O velho cambaleou para trás, perdendo o equilíbrio, e precisou ser amparado por dois coroinhas para não cair dos degraus de pedra. Um suspiro coletivo de horror ecoou pela praça. Empurrar um padre era uma linha que ninguém naquela cidade tradicional imaginava que alguém cruzaria. Aquele gesto destruiu qualquer resquício de empatia que alguém pudesse sentir pelo noivo. Agora ele era um pária aos olhos de todos. Alejandro ficou sozinho no meio do átrio, cercado por um círculo vazio, enquanto todos o encaravam como se ele fosse o próprio diabo. Aproveitando-se da distração causada pelo empurrão, o padre, o irmão mais velho de María Fernanda e dois primos carregaram a noiva, erguendo-a quase arrastando-a.
Suas pernas estavam fracas e seu vestido branco estava manchado de terra cinza nos joelhos e na barra. Uma triste imagem de derrota. “Vamos entrar, María.” “Você não precisa dar ouvidos a esse animal”, disse o irmão, com a voz embargada pela raiva mal contida. Eles a conduziram de volta para dentro da igreja, buscando refúgio na penumbra fresca do templo, longe da luz forte do sol e dos olhares do público. Eles fecharam com força as pesadas portas de madeira entalhada, abafando os gritos de Alejandro e o murmúrio da multidão do lado de fora.
Lá dentro, o silêncio era profundo, quebrado apenas pelos socos incontroláveis da noiva, que ecoavam contra o alto teto de pedra. Do lado de fora, Alejandro reagiu ao ver sua vítima sendo levada e correu em direção às portas fechadas, socando a madeira com os punhos. “Abra a porta, María, não se esconda, ainda não terminamos de conversar.” Ele gritava, completamente alheio ao espetáculo grotesco que estava criando. Seus próprios amigos, envergonhados, entreolharam-se, sem saber se deveriam intervir ou deixá-lo se afundar em sua miséria sozinho.
A tecnologia moderna, cruel e veloz, entrou em ação. Dezenas de celulares surgiram da multidão como testemunhas digitais silenciosas. De diferentes ângulos, convidados e curiosos que passavam pela praça registravam cada insulto, cada batida na porta e cada gesto insano do noivo. Ninguém interveio fisicamente, mas todos documentaram a decadência social de uma das famílias mais ricas da região. Os vídeos começaram a circular nos grupos de mensagens instantâneas da cidade antes mesmo de Alejandro parar de bater na porta da igreja.
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