Sinha deu à luz trigêmeos e ordenou que a escrava desaparecesse com aquele que nasceu com a pele mais escura – BN

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Benedita congelou, mas sob o olhar da filha, confessou tudo.

"Ele é filho do coronel?" perguntou Joana. Benedita assentiu. "Então ele é irmão das crianças da casa grande", murmurou Joana. Ela havia prometido guardar segredo, mas essa revelação a transformou.

Tudo desmoronou numa tarde de agosto, quando Benedita e Bernardino, então com dez anos, escaparam da governanta e se aventuraram na selva. Eles se embrenharam mais na floresta do que jamais ousaram e encontraram uma cabana. Lá, viram um menino descalço, de pele escura, assobiando uma melodia triste.

Bernardino congelou ao ver duas crianças brancas vestidas como cavalheiros.

"Quem são vocês?" perguntou Bernardino.

Bernardino não respondeu. Ele havia sido ensinado a não ser visto. "Vocês moram aqui?" insistiu Bernardino, notando a semelhança familiar em seus olhos.

Bernardino apenas balançou a cabeça nervosamente. "A mãe de Benedita virá me visitar."

O nome o atingiu como um raio em céu azul. Os gêmeos voltaram para casa em silêncio. Por que Benedita, uma criada, estaria cuidando de uma criança escondida que se parecia tanto com eles?

Naquela noite, Benedito decidiu investigar. Seguiu Benedita até a casa de campo. Escondeu-se e a ouviu dizer algo que lhe causou arrepios: "Filho, você logo entenderá por que precisa se esconder, mas você é tão importante quanto qualquer outra pessoa nesta casa grande."

As peças do quebra-cabeça se encaixaram: o menino tinha a mesma idade, a história do irmão morto, a semelhança física. A suspeita se transformou em uma terrível dúvida.

Em uma tarde de dezembro, os gêmeos confrontaram a mãe. "Mãe", começou Benedito, "você mentiu para nós sobre seu irmão morto."

Amélia deixou cair a xícara. Empalideceu.

"Nós sabemos, mãe", disse Bernardino. “Nós o vimos. A criança está escondida ali. Benedita está cuidando dele. Ele é nosso irmão, não é?”

O silêncio era ensurdecedor. Amelia irrompeu em lágrimas, seu corpo tremendo com os soluços. “Sim”, sussurrou ela, derrotada. “Sim, ele é seu irmão. Ele nasceu na mesma época que você, mas era diferente… pele mais escura. Eu estava com medo. Eu estava com medo do seu pai… Eu disse a Benedita para fazê-lo desaparecer.”

“Você mandou matar nosso irmão?”, perguntou Benedito, aterrorizado.

Naquela mesma noite, Benedito irrompeu no escritório do pai, furioso. “Pai, você tem outro filho. Ele não está morto.” Ele ainda está vivo, escondido. Sua mãe ordenou que Benedita o fizesse desaparecer porque ele nasceu com a pele escura.

O Coronel Tertullian virou uma mesa. Seu rugido ecoou pela fazenda: “BENEDITA!”

Arrastaram-na para o pátio e a jogaram a seus pés. Ele segurava um chicote na mão. — Você escondeu meu filho? — rugiu ele.

Beneditina ajoelhou-se, ergueu o rosto e fechou os olhos. — Eu o escondi. Sim, senhor. A senhora ordenou que eu o matasse. Não tive coragem. Preferiria que ele crescesse faminto e com frio nas montanhas a que morresse.

A honestidade desarmou Tertuliano. Ele largou o chicote. — Onde ele está?

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