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"Na velha casa", respondeu ela.
"Tragam o menino aqui imediatamente!" gritou o coronel para seus capangas.
Ao anoitecer, trouxeram Bernardo para o pátio. O menino estava descalço, sujo e assustado. Ele viu Benedita ferida e tentou correr até ela, mas o impediram. "Mãe Benedita!" gritou ele.
Tertuliano aproximou-se e olhou para a criança. Viu seus traços, o formato dos olhos, o queixo quadrado. Era seu filho. Seu sangue. Prova viva do segredo de sua esposa.
Virou-se e viu Amélia chorando na varanda. Algo dentro dele se quebrou.
"Esta criança é Cavalcante", anunciou Tertuliano. Todos ficaram em silêncio. "Ele tem meu sangue. Sangue não pode ser escondido." Olhou para Benedita. "Você salvou meu filho. Minha esposa queria matá-lo. Portanto, você está livre. Dou-lhe a liberdade, e à sua filha também." Benedita e Joana choraram de alívio. O coronel voltou-se para Bernardo, que tremia. Ele se ajoelhou diante dele. "Você é meu filho, entende isso? Você não é pior do que ninguém. Quem disser o contrário terá que se ver comigo."
Atordoado, Bernardo olhou para Benedita. Ela assentiu e sorriu em meio às lágrimas. "Vá, meu filho. Viva a vida para a qual você sempre esteve destinado."
Os anos seguintes foram um ponto de virada. Bernardo Cavalcante foi aceito na casa principal. Estudou com os irmãos, aprendeu a ler e a tocar piano. Cresceu dividido entre dois mundos: o de herdeiro da casa principal e o de filho de escravos que visitavam Benedita e Joana, agora mulheres livres. Ele nunca se esqueceu de suas origens e decidiu ser uma ponte, não um muro.
Aos vinte anos
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