Capítulo 5: O Veredito
Dois minutos depois, a casa tremeu.
Não foi uma batida na porta. Foi um arrombamento.
A porta da frente se abriu com um estrondo ensurdecedor. Granadas de efeito moral explodiram no corredor, enchendo a casa com uma luz ofuscante e um barulho ensurdecedor.
AGENTES FEDERAIS! NO CHÃO!
Sylvia gritou e se escondeu debaixo da mesa. Mark correu para a despensa.
David ficou parado no meio da cozinha, com as mãos erguidas e tremendo violentamente.
Seis homens com equipamento tático completo invadiram a cozinha. Eles carregavam fuzis de assalto e coletes com a inscrição "US MARSHAL".
"Para a frente!" alguém gritou.
ABAIXO! AGORA!
O agente avançou para cima de David. Ele o socou com toda a sua força, batendo seu rosto nos azulejos ensanguentados ao meu lado. David gritou quando alguém torceu seu braço para trás.
"Não atire! Eu sou advogado!" David gritou.
"Cale a boca!" o agente rosnou, segurando seus pulsos.
Outro agente — um médico — ajoelhou-se ao meu lado.
"Sra. Thorne? Sou a Agente Carter. Vamos tirá-la daqui."
"Meu amor..." chorei.
"Temos uma ambulância lá fora. Fique comigo."
Eles me colocaram em uma maca. Enquanto me carregavam para fora, passei por David. Ele estava deitado no chão, com a bochecha pressionada contra uma poça do meu sangue. Ele me olhou com olhos suplicantes.
"Anna! Diga a eles! Diga que foi um acidente! Somos casados! Eles não podem me prender!"
Olhei para ele. Para o homem que eu amava. Para o homem que havia destruído nosso futuro.
"Oficial", eu disse ao agente que segurava David.
"Sim, senhora?"
"Quero prestar queixa", eu disse claramente. “Agressão qualificada. Cárcere privado. E… assassinato.”
“Não!” gritou David. “Anna!”
“E eu quero o divórcio”, acrescentei.
Eles me carregaram para a noite fria. SUVs pretas com luzes vermelhas e azuis piscando bloqueavam a rua. Um helicóptero sobrevoava o local, seus faróis iluminando a casa como se fosse uma cena de crime.
Sylvia foi arrastada algemada, ainda com seu vestido formal de veludo vermelho, agora rasgado. Ela gritava por seus direitos.
Me colocaram na ambulância.
Um carro preto parou bruscamente ao lado da ambulância. A porta traseira se abriu de repente.
Meu pai saiu.
Ele usava um sobretudo por cima do pijama. Parecia mais velho do que eu me lembrava, mas seus olhos eram ameaçadores.
“Anna!”
Ele correu até a maca. Segurou minha mão. Lágrimas escorriam pelo seu rosto — um rosto que outrora aterrorizara políticos. — Pai — sussurrei. — Me desculpe. Me desculpe mesmo por ter fugido.
— Shhh — ele beijou minha testa. — Você está segura agora. Eu estou com você.
Ele se virou para o chefe de polícia.
— General — disse meu pai.
— Sim, senhor presidente?
— Aquele homem lá dentro — meu pai gesticulou em direção à casa — será preso pelas autoridades federais. Sem direito a fiança. Risco de fuga. Um perigo para a sociedade. Eu mesmo assinarei a ordem.
— Entendido, senhor.
— E certifique-se — acrescentou meu pai, baixando a voz para um sussurro aterrador — de que ele saiba exatamente com quem está se metendo.
Capítulo 6: Liberdade
Seis Meses Depois
O jardim da propriedade do meu pai na Virgínia estava em plena floração. As pétalas de cerejeira caíam como neve rosa.
Sentei-me em um banco de pedra, sentindo o sol no rosto. Meu corpo estava quase completamente curado. As cicatrizes nas minhas costas tinham desbotado, transformando-se em linhas finas e brancas. A cicatriz no meu coração — o espaço vazio onde meu filho deveria estar — ainda doía, mas agora era suportável.
Sentada no banco, peguei o Washington Post.
A manchete dizia: "Ex-advogado David Miller é condenado a 25 anos de prisão".
Li o artigo.
David havia sido indiciado em um tribunal federal. Agredir um membro da família de um juiz federal acarretava penas severas.
Mas eles encontraram outras coisas também. Quando os amigos do meu pai começaram a investigar, descobriram que David estava desviando dinheiro de clientes. Encontraram fraude. Encontraram tudo.
Ele se declarou culpado, soluçando no tribunal e implorando por misericórdia. O juiz — um homem a quem meu pai havia ensinado vinte anos antes — deu-lhe a pena máxima.
Sylvia foi condenada a dez anos de prisão por cumplicidade e obstrução da justiça.
Eles se foram. Foram apagados.
Meu pai saiu de casa com duas xícaras de chá. Sentou-se ao meu lado.
“Você lê notícias?”, perguntou ele baixinho.
“Só quadrinhos”, menti, dobrando o jornal.
Ele sorriu. “Você está ótima, Anna. Mais forte.”
“Eu me sinto mais forte”, respondi. “Me inscrevi para a Faculdade de Direito de Georgetown ontem.”
Meu pai ergueu as sobrancelhas. “Direito? Pensei que você odiasse Direito.”
“Eu odiava a pressão”, corrigi. “Odiava as expectativas. Mas… percebi algo naquela noite na cozinha.”
“O quê?”
“A lei é uma arma”, eu disse. “David tentou usá-la como um porrete para me bater. Ele achou que ela lhe pertencia porque tinha decorado as palavras.”
Tomei um gole de chá.
“Mas ele estava errado. A lei pertence àqueles que estão dispostos a lutar por ela. Pertence à verdade.”
Meu pai me abraçou. “Você vai ser uma péssima advogada, Anna.”
“Pretendo ser”, disse ele.
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