Meu marido começou a cheirar muito mal.

Ele entrou sozinho na sala de exames. A porta se fechou.

Cinco minutos se passaram.

Então a porta se abriu novamente.

O médico saiu, o rosto corado e os lábios cerrados como se estivesse tentando conter o riso. Ele pigarreou, olhou para mim e disse: “Talvez eu deva entrar”.

Meu coração afundou. Milhares de cenários catastróficos passaram pela minha cabeça.

“Doutor, o que houve?”, perguntei. “Por que o senhor está sorrindo?”

Antes que eu pudesse responder, meu marido o seguiu, coçando a nuca e evitando meu olhar.

“Hum… preciso explicar uma coisa”, disse ele.

Ele respirou fundo.

“Eu estava usando a sua esponja de banho.”

Eu o encarei, confusa.

“A que está no meu rosto”, acrescentou ele baixinho. “Todos os dias. Há meses.”

Houve um breve momento de silêncio.

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