O policial abriu a porta do carro para mim.
"Está pronta?"
Assenti com a cabeça. "Sim. Mais do que nunca."
Subi as escadas devagar, não para me exibir, mas para sentir cada degrau. Cada degrau era uma ferida cicatrizada. Uma injustiça superada. Um capítulo da minha vida que eu estava encerrando.
A cabine era quente, iluminada, com poltronas grandes e janelas amplas. Afundei na poltrona e fechei os olhos. Naquele silêncio, meus pensamentos se acalmaram. Nem minha voz nem minha alma tremiam. Tudo estava claro.
E então senti um arrepio: eu estava indo para a mesma festa que eles. A mesma mesa, os mesmos rostos que sempre me julgaram. Só que agora eu não estava mais indo como uma garota "à margem da família". Eu estava indo como uma mulher que não precisava mais da aprovação deles.
O avião decolou. Olhei pela janela bem na hora em que vi meu pai e Mirela entrando no túnel de embarque. Eles estavam chocados. Mirela mordeu o lábio, e meu pai pareceu pequeno, tão pequeno que me surpreendi por não tê-lo visto antes.
Por um instante, nossos olhares se encontraram através da janela. Não era raiva. Era a verdade. A verdade de que ela não tinha mais poder sobre mim.
O avião ganhou velocidade. As rodas deixaram o chão, e meu estômago revirou como se estivesse se libertando.
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