PARTE 2
E algo dentro dele começou a despertar… algo que estivera adormecido por anos.
Mas o que veio a seguir…
Foi o que finalmente o abalou.
“Tem mais uma coisa, pai…” Diego sussurrou.
Ele o levou até o quarto.
Abriu a mochila.
Virou-a sobre a cama.
Um sanduíche caiu.
Uma maçã.
Biscoitos.
Os outros dois fizeram o mesmo.
Comida.
Comida que eles não tinham comido.
“Vamos dar para a Maria…” disse o menino, “…para os filhos dela.”
Dom Ernesto prendeu a respiração.
“E vocês… o que comem na escola?”
Os três baixaram o olhar.
“Nada, pai.”
Nada.
Seus filhos… passando fome… em silêncio.
Para que outras crianças pudessem comer.
Dom Ernesto sentiu como se o mundo estivesse desabando sobre ele.
Ele se lembrou da ligação da professora.
Lembrei-me da esposa dizendo: "É só uma fase".
Lembrei-me de que... não fez mais perguntas.
Porque era mais fácil não ver.
Mas agora ele estava vendo tudo.
E não podia mais fingir que não via nada.
Voltou para a cozinha.
Ajoelhou-se diante de Maria.
"Diga-me a verdade... toda a verdade."
Maria ergueu o olhar pela primeira vez.
Seus olhos estavam vermelhos.
Sua alma estava cansada.
"Tenho três filhos, patrão... e não é suficiente...", sussurrou. "A comida que sua esposa joga fora... é tudo o que eles comem."
Dom Ernesto fechou os olhos.
O silêncio estava mais pesado do que nunca.
Mas então...
Maria disse algo mais.
Algo que ninguém esperava.
Algo que mudou tudo.
“E se isso estiver errado… então eu aceito meu erro…” disse ela, com uma calma que doía, “…mas eu faria tudo de novo.”
Dom Ernesto a encarou.
Algo dentro dele estava prestes a se romper completamente…
quando uma voz interrompeu vinda da sala de estar.
“Certo.”
Era Verónica.
De pé.
Segurando uma pasta.
Séria.
Composta.
“Porque vou tomar providências amanhã.”
O ar ficou pesado.
“O que… você disse?” perguntou Dom Ernesto.
“Já falei com um advogado”, respondeu ela sem pestanejar. “Isso tem consequências. E você vai decidir… como lidar com essa situação.”
Silêncio.
Pesado.
Sufocante.
Mas o pior…
ainda estava por vir.
Verónica respirou fundo.
“Ah… e também vou entrar com uma ação pela guarda das crianças.” Dom Ernesto sentiu o chão se abrir sob seus pés.
E naquele instante, ela compreendeu algo brutal:
Aquilo não era mais uma discussão…
Era um término de relacionamento.
E aquilo era apenas o começo.
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