Meu coração disparou no instante em que vi.
Deveria ter me feito sorrir.
Era o desenho da minha filha: quatro bonequinhos de palito de mãos dadas sob uma enorme estrela amarela.
Reconheci os que diziam "Mamãe", "Papai" e "eu". Mas havia uma quarta figura.
Ela era mais alta do que eu e tinha longos cabelos castanhos. A mulher usava um vestido triangular vermelho vivo e sorria como se soubesse algo que eu não sabia.
Acima da cabeça dela, minha filha havia escrito o nome "MOLLY" em letras grandes e caprichadas.
...o nome "MOLLY"...
A Sra. Allen olhou para mim com gentileza. Ela baixou a voz para que minha filha, que estava absorta em um quebra-cabeça a algumas mesas de distância, não a ouvisse.
"Ruby fala muito da Molly. Não é um assunto casual, mas como se ela fizesse parte da vida dela. Sua filha a mencionou em histórias, desenhos e até durante cantigas de roda. Eu não queria preocupá-la, mas... não queria que fosse uma surpresa."
O papel parecia pesado nas minhas mãos. Sorri e assenti como se tudo estivesse bem, mas senti um aperto no estômago.
A Sra. Allen me lançou um olhar gentil.
Naquela noite, depois de lavar a louça e quando Ruby vestiu o pijama, deitei ao lado dela na cama e a cobri com seu cobertor de Natal. Afastei o cabelo da testa dela e perguntei, o mais casualmente possível: "Querida, quem é Molly?"
Ela sorriu como se eu tivesse perguntado sobre seu brinquedo favorito.
"Ah! Molly é a amiga do papai."
Minhas mãos pararam. "A amiga do papai?"
"Sim. Nós a vemos aos sábados."
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