Naquela noite, enquanto a voz da minha irmã se elevava em meio ao barulho das sirenes e da fumaça, eu estava na calçada, segurando uma caixa de papelão nos braços e um anjo de cerâmica meio derretido na mão.

A casa ficava um pouco afastada da rua, sufocada por trepadeiras grossas e teimosas. A varanda estava arqueada como uma coluna vertebral cansada. Uma janela estava tapada com tábuas; a outra agora era apenas um buraco irregular. Entramos com as chaves. O ar cheirava a fumaça velha e segredos antigos.

Marissa ligou a lanterna do celular. O feixe de luz atravessou a poeira, revelando papel de parede descascando e um ventilador de teto torto. E então eles estavam lá: listras pretas subindo pelas paredes.

"Zoe", disse Marissa, com a voz mais baixa. "Esta casa já pegou fogo."

No canto do que devia ser um quarto, encontrei uma cômoda pequena e deformada. Puxei a gaveta e a frente se soltou. Algo rolou para o chão: um anjo de cerâmica, derretido de um lado, com a asa quebrada. Era a estatueta que ficava no parapeito da minha janela quando eu tinha sete anos. Eles não me deram uma casa em ruínas. Me deram o lixão deles.

"Eles sabiam", murmurei. "Sabiam que era um desastre."

Marissa se agachou ao meu lado.

Eles te deram lixo e chamaram isso de chance. Você pode ir embora... ou pode tornar este lugar tão bonito que eles não o suportarão mais.

Olhei para o anjo derretendo. Uma raiva crescente e ardente começou a preencher o vazio em meu peito.

"Tudo bem", eu disse. "Vou construir uma coroa sobre o lixo deles."

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